\n'; document.write(barra); } } changePage();

HOMEM DE PAU GRANDE
Cacete (epa!), só andam falando do tamanho do pau do Garrincha (que seria de 25 cm., segundo testemunhas oculares). A quem isso pode interessar? Algum anjo viado? Vejam só: o assunto foi tratado pela IstoÉ, pela Veja e pela Época. Parece uma versão gay da música "Águas de Março", do Tom Jobim: "é pau, é pau, é pau, é pau...". Raios, se não têm assunto, publiquem uma estrofe dos Lusíadas, mas ficar especulando sobre o tamanho do pinto do ilustre defunto é, além de inútil, muito ridículo. E ainda ficam citando o tempo todo que ele nasceu na cidade de Pau Grande (RJ). Francamente...
TROPAS DE ELITE
Se você acha que este negócio de "tropas de elite" é coisa de filme de roliúdi, saiba que existem não uma, mas várias tropas de elite aqui mesmo no Brasil. Tem gente especializada em guerra na selva, na caatinga, no cerrado, etc. E existe, em Minas Gerais, um destacamento especializado nos combates em terreno montanhoso. O grito de guerra deles é "só o cume interessa".
Penso que seja um caso de humor involuntário. Mas, depois que os americanos inventaram a máquina de debulhar milho e o arado de virar a folha, não duvido de mais nada. Será que o pessoal está sacaneando? A alternativa seria "só o pico interessa". Porém aí iam achar que a tropa de elite não passa de um bando de "junkies" uniformizados !
Homem Ímã
"O aposentado Liew Thow Lin se autoproclama o maior fenômeno da Malásia. Ele diz que consegue atrair e manter grudados ao seu corpo diversos objetos metálicos: 'Sou um ímã em pessoa. Desafio qualquer um neste mundo a fazer isso que eu faço', diz Lin".
Extraído da revista IstoÉ. Também lá está esta frase do Júnior Baiano:
"Como tem gente aqui!"
Júnior Baiano está jogando futebol há dois meses na China.
"Iniciada, na igreja de St. Buchardi, na Alemanha, a execução de uma peça do compositor americano John Cage (1912-1992), programada para durar 639 anos. A sinfonia (?) começa com 16 meses de silêncio. As três primeiras notas serão tocadas em janeiro de 2003."
A nota acima foi extraída da revista VIP deste mês.
Na "vejinha", edição São Paulo, temos na capa a manchete: "As socialites evangélicas", tendo como subtítulo "As paulistanas ricas e chiques que se tornaram fiéis da Igreja Vida Nova". Ainda bem que existem revistas assim. A patuléia ignara, que insiste em comer marmita, usar roupas sem grife e andar de ônibus, finalmente aprenderá - com esta didática reportagem - a se vestir para ir ao Templo.
Em tempo: leiam "Carta Capital". Texto afiado, sai toda semana. Resumindo, a melhor alternativa para as revistinhas que fazem BÉÉÉ para Washington - fora a "Caros Amigos". Não concordo com tudo o que dizem estas duas revistas (o que é um bom sinal), mas valem a tentativa. E olha que não estou ganhando nada pela propaganda. Tudo bem.
Nunca deixo de lembrar que a ficção tem uma grande desvantagem frente à realidade: a ficção precisa ser verossímil; a realidade simplesmente acontece e pronto. Por exemplo: na mesa onde trabalho, no canto esquerdo, fica uma pilha de revistas. Vou comprando, lendo e empilhando. Hoje chegou um sujeito, que eu nunca tinha visto na minha vida, e pegou uma delas, sem nenhuma cerimônia. Claro que a capa era sobre afeganistão, etc. Não fiquei muito surpreso pois a empresa onde trabalho é muito grande, e tem várias pessoas que não conheço. Bem, ele ficou de pé, ao meu lado, folheando a revista. Depois de um tempo, ele falou:
- Pôxa, agora eles só falam nisso. Guerra, terrorismo ...
Olhei para ele e pensei: "de onde saiu esta criatura?". Mas, resolvi ser cordial.
- É, a coisa tá braba.
Passou-se um tempo. Aí ele disse, meio distraído:
- O nome da minha esposa é Rosana.
À essas alturas, eu já não entendia mais nada. O que eu tinha a ver com isso? Achei melhor ficar quieto, pois aquele louco poderia ficar agressivo. Passou-se mais um tempinho e ele completou:
- Agora eu chamo ela de Rosana Bin Laden. HAHAHA.
Colocou a revista de volta na pilha, agradeceu e foi embora.
Belo dia em SanPablo. As coisas estavam tão nítidas que nem pareciam reais. Parecia um filme em que pessoas, placas de trânsito e cachorros eram projetados diretamente no meu cérebro. Aspas para Barbara Victor, escritora que prepara uma biografia de Madonna: "A Madonna se casou com o Guy Ritchie porque estava à procura de estabilidade. Ela não queria mais continuar fazendo coisas ridículas aos 43 anos".
Manifestação da Força Sindical defronte à FIESP. Depois fiquei sabendo que eram trabalhadores que estavam em férias coletivas e ameaçavam entrar em greve. Mas, como se entra em greve de férias? Voltando a trabalhar? Não entendi bem esse negócio. Temendo ser confundido com um daqueles comunistas baderneiros - como diria o nosso Grande Olodum Cartesiano, FH do seu C -, e acabar levando uma paulada dos PMs, desci por uma rua lateral e me refugiei num boteco. Já que estava lá, pedi uma caninha e comi um torresmo, que ninguém é de ferro.
O Hábito traça uma linha precisa, descendente, partindo da avenida Paulista e descendo a rua Pamplona, primeira à esquerda, até a banca de jornais. Cautela é necessária para atravessar a alameda Santos (motos nervosas, vento de ônibus, etc). O proprietário me conhece há quase um ano: todos os dias compro uma revista dele. Num qualquer dia, Nietszche me olhava da capa de um pequeno volume. Comentei, mais pensando em voz alta, um detalhe da vida do Friederich. O jornaleiro, então, pôs-se a fazer uma análise comparativa entre a obra de Nietszche e Schoppenhauer - com algumas citações da obra "mundo como vontade e representação". Depois de recolher o queixo, que havia caído na calçada, perguntei ao sujeito como ele sabia de tudo aquilo. Aí fiquei sabendo que o jornaleiro do qual compro revistas há quase um ano tem doutorado em filosofia. Deixei meu queixo, que havia caído de novo, lá mesmo na calçada e fui tratar da vida.
Inácio
Tinha pouca gente no bar quando o homem entrou. Ele sentou numa banqueta do bar, sorriu para o barman e pediu:
- Dois uísques.
- Dois?
- Um puro, com gelo, pra mim, outro com soda para o Inácio.
O barman sorriu.
- O Inácio vai chegar depois?
- O Inácio está aqui do meu lado.
O barman hesitou, continuou sorrindo, depois deu de ombros. Tudo bem. Dois uísques, sendo um com soda para o Inácio. Colocou os dois uísques na frente do homem, que empurrou o que tinha soda para o lado. Depois de tomar o seu, o homem falou.
- Inácio, telefone para casa e xingue a sua mulher. Agora. Ela compreenderá.
Em seguida o homem tomou o uísque com soda também e confidenciou para o barman:
- Na verdade eu não bebo. Só venho para acompanhar o Inácio e evitar que ele beba demais. Notou como eu tomo o uísque dele sem ele perceber? É o jeito. Senão ele fica inconveniente. Canta "Conceição". O diabo. Põe outro com soda aqui pro Inácio não notar que eu bebi o dele.
- Mas ele é parente seu?
- Que parente? Eu nem conheço.
- Mas então porque...
- Olha aqui, não fala assim do Inácio. É um grande cara. Teve uma vida cachorra, entende? Cachorra. Não foi nada que quis ser na vida. Tem problemas em casa. Olha, ele está voltando e vai lhe acertar uma.
- Mas o que foi que eu fiz?
- Fica aí insinuando que ele é doido. Só porque tem um amigo imaginário. Pois o amigo dele sou eu e eu existo. Ou não existo?
- Calma, calma.
- "Conceição, ninguém sabe..." Põe mais dois aqui. Um só com gelo e um com...
- O senhor não acha que já bebeu demais?
- Como é que eu vou saber? Estou bêbado.
- Acho que chega.
- Então traz só o do Inácio.
- É melhor o senhor ir pra casa.
- Não contraria o Inácio que é ele que tá pagando!