Padre Levedo
Sábado, Dezembro 22, 2001
JINGOMBÉU

Estou confuso: é Natal ou foi Natal? Do sofá - onde me encontro aprisionado devido a um fortíssimo e misterioso campo gravitacional - pude perceber a entrada de um velho pederasta vestido de vermelho (sim, a imagem do Santa Klaus como nós a conhecemos é coisa bolada pela Coca-Cola) pela janela. Puxei minha 12 cano serrado e mandei chumbo. Antes de ir dessa para uma pior, e enquanto sangrava feito um porco bem em cima do meu tapete, a assombrosa aparição me falou: "Poxa, Padre, me desculpe, mas o senhor é um mal-educado! Até concordo que eu sou um subproduto cultural e símbolo da hipocrisia humana, mas não precisava ser tão rude!". Ao que eu respondi, enquanto embebia o bom velhinho com querosene: "Está desculpado." Aí risquei o fósforo.
Quinta-feira, Dezembro 20, 2001
EU ODEIO COMPUTADORES

Esta frase, aparentemente contraditória, resume tudo o que eu penso das maquininhas. FAZ UMA SEMANA que tento atualizar o meu BLOG e o www.blogger.com simplesmente não funciona. O mundo, em 2001 - segundo a concepção artística de alguns viajandões - , seria um mundo asséptico, perfeito, justo e belo. Acho que erraram. Nem um programa ridículo que monta páginas HTML a partir de um template funciona.
[Pobremas da Grobalizassão

Da revista "CartaCapital" desta semana, sobre o pimpolho herdeiro de um vasto império das finanças: "Rinaldo, o rebento, estudava na PlayPen, escola dos Jardins. Só falava em inglês. Surgiu o problema: pai e mãe o dia inteiro na rua, empregadas, faxineiras, babá e seguranças valiam-se apenas do português para a comunicação. - I WANT ORANGE JUICE, berrava o pequeno Rinaldo. Em vão: sem suco. Ivete, sua babá, recorda aqueles dias: - WATER, WATER, esganiçava-se o sedento little kid ante o estupor e a angústia dos empregados. - BREAD, BREAD, rogava Rinaldo, e nada de pãozinho, até que a patroa colocou Ivete na escola de inglês. Ivete aprendeu umas 30 palavras. Rinaldo não passou mais fome e sede. Agora, em outro emprego, Ivete confessa: já esqueceu quase tudo.
Terça-feira, Dezembro 18, 2001
BUUUUUUUUUUUUUUUUUUURRRRRRRRRRRRPPPPPPPPP
Pobremas da Grobalizassão

Da revista "CartaCapital" desta semana, sobre o pimpolho herdeiro de um vasto império das finanças: "Rinaldo, o rebento, estudava na PlayPen, escola dos Jardins. Só falava em inglês. Surgiu o problema: pai e mãe o dia inteiro na rua, empregadas, faxineiras, babá e seguranças valiam-se apenas do português para a comunicação. - I WANT ORANGE JUICE, berrava o pequeno Rinaldo. Em vão: sem suco. Ivete, sua babá, recorda aqueles dias: - WATER, WATER, esganiçava-se o sedento little kid ante o estupor e a angústia dos empregados. - BREAD, BREAD, rogava Rinaldo, e nada de pãozinho, até que a patroa colocou Ivete na escola de inglês. Ivete aprendeu umas 30 palavras. Rinaldo não passou mais fome e sede. Agora, em outro emprego, Ivete confessa: já esqueceu quase tudo.
Pobremas da Grobalizassão

Da revista "CartaCapital" desta semana, sobre o pimpolho herdeiro de um vasto império das finanças: "Rinaldo, o rebento, estudava na PlayPen, escola dos Jardins. Só falava em inglês. Surgiu o problema: pai e mãe o dia inteiro na rua, empregadas, faxineiras, babá e seguranças valiam-se apenas do português para a comunicação. - I WANT ORANGE JUICE, berrava o pequeno Rinaldo. Em vão: sem suco. Ivete, sua babá, recorda aqueles dias: - WATER, WATER, esganiçava-se o sedento little kid ante o estupor e a angústia dos empregados. - BREAD, BREAD, rogava Rinaldo, e nada de pãozinho, até que a patroa colocou Ivete na escola de inglês. Ivete aprendeu umas 30 palavras. Rinaldo não passou mais fome e sede. Agora, em outro emprego, Ivete confessa: já esqueceu quase tudo.
Segunda-feira, Dezembro 10, 2001
DEMOCRACIA

Vendo o Jornal Nacional, fiquei comovido com o relato singelo de um analfabeto que conseguiu o nono lugar num concurso vestibular para Direito. Sim, o sujeito não sabia ler nem escrever. Marcou alternadamente as opções A e B das provas, e devolveu a redação em branco. Isso é que é Democracia. Qualquer asno pode chegar a ser Advogado. Quiçá, Juiz. Quem sabe, Presidente. Crianças, jamais vocês verão país como esse. Depois vem aquela cambada de comunistas falando mal do nosso Florão da América. Mal-agradecidos...
Sexta-feira, Dezembro 07, 2001
A SEGUNDA VINDA DE JESUS JÁ ACONTECEU E FOI HÁ VINTE ANOS ATRÁS

Jesus é uma bebida popularíssima no Maranhão. É um guaraná aromatizado com canela e outros 16 ingredientes; possui cor rosada, muito gás e extrema doçura. Não tem ninguém no Maranhão que não conheça Jesus. Parece até que a Coca-Cola está pensando em comprar Jesus. A que ponto chega a globalização...

Em tempo: o título desta modesta nota refere-se ao ano em que o guaraná retornou ao mercado, em 1981, após um hiato de vinte anos na sua fabricação. Apesar destas dilatadas férias, Jesus retornou, de modo triunfal.


Terça-feira, Dezembro 04, 2001
PUDICÍCIA

A Fernanda era de Portugal e tinha uma escola de Inglês num bairro podre de chique em San Pablo. Os professores eram todos estrangeiros, de vários países. Tinha gente até da Nova Zelândia. E todo mundo com vinte e poucos anos.
Fiquei amigo da Fernandinha e uma vez ela decidiu oferecer um jantar pros professores e me convidou também. Sei que comemos muito bem, e depois fiquei jogando conversa fora com uma Sueca maluca. O pessoal da Suécia é bastante desinibido - principalmente os mais jovens. Não precisou muito uísque para que ela estivesse falando pelos cotovelos. Em Inglês, graças à Deus, pois o meu Sueco anda meio enferrujado. Perguntei várias coisas sobre o país dela, e acabei comentando sobre os famosos filmes Suecos. Os filmes de putaria, é óbvio. A loirinha riu e contou que assitia muito, e o irmão mais velho dela inclusive era casado com uma atriz pornô. Porém o casamento não estava dando certo. Aí eu não me controlei e disse: "mas claro, o sujeito deve ter uma dor-de-corno tremenda!" Ela negou, pois o problema não era o fato da mulher ganhar a vida trepando o dia inteiro. O marido não se importava com isso. O problema era que a moça, quando transava com ele, não passava do papai-e-mamãe. Ficava totalmente encabulada. Não suportando a situação, um dia o marido desabafou: "Porra, querida, e aquela tripla penetração que eu vi você fazendo no filme 'loiras peitudas contra ETs tarados'? Caramba, não entendo essa timidez! Metade da Suécia te viu mamando uma trolha de burro! Mas você chega aqui em casa e se comporta como uma freira!". A mulher ficou indignadíssima. Repondeu: "O que eu faço no estúdio é trabalho. O que eu e você fazemos na cama é amor. Você pensa que eu sou o quê? Uma puta?"