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PREGUIÇA PARTE II
Hoje pretendia falar sobre Jorge Luis Borges. Mas me deu uma preguiça tão grande (acho que é o vírus Dorivallis Caymmis), que resolvi não falar sobre nada. Entretanto, deixo com vocês, fiéis leitores deste blog, minha bênção especial de véspera de feriado: que vocês possam fazer amor com alguém que vocês amem; que vocês possam se intoxicar com a substância predileta - ou nenhuma, no caso de ser abstinente; que vocês possam pensar, nem que seja por uma fração de tempo, que o mundo não é esta merda toda cuspida pela mídia, e que há - sim - prazer e alegria em existir. Ou não.
RIMBAUD
Jean-Nicolas Arthur Rimbaud viveu pouco, cronologicamente falando. Morreu aos 37 anos, em 1891, de um câncer que lhe roeu a perna esquerda. Começou a escrever durante a adolescência, e por volta dos vinte anos, encheu o saco de colocar as palavras no papel. Abandonou - para sempre - a literatura, e partiu para a Abissínia (atual Etiópia) para ser traficante de armas. O intrigante nisso tudo é a qualidade inegável dos textos de Rimbaud, que ocupam lugar de honra na tradição literária da França. Como se pode escrever da maneira que ele escreveu aos dezessete anos? Suas palavras não são palavras de um adolescente, são ecos de uma alma muito antiga. Rimbaud é sobrenatural, inexplicável. É aconselhável ler Rimbaud no original mesmo, pois a poesia dele, traduzida, não intoxica tanto como em francês. Intoxiquemo-nos, pois.
LE BATEAU IVRE
Comme je descendais des Fleuves impassibles,
Je ne me sentis plus guidé par les haleurs :
Des Peaux-Rouges criards les avaient pris pour cibles,
Les ayant cloués nus aux poteaux de couleurs.
J'étais insoucieux de tous les équipages,
Porteur de blés flamands ou de cotons anglais.
Quand avec mes haleurs ont fini ces tapages,
Les Fleuves m'ont laissé descendre où je voulais.
Dans les clapotements furieux des marées,
Moi, l'autre hiver, plus sourd que les cerveaux d'enfants,
Je courus ! Et les Péninsules démarrées
N'ont pas subi tohu-bohus plus triomphants.
La tempête a béni mes éveils maritimes.
Plus léger qu'un bouchon j'ai dansé sur les flots
Qu'on appelle rouleurs éternels de victimes,
Dix nuits, sans regretter l'oeil niais des falots !
Plus douce qu'aux enfants la chair des pommes sûres,
L'eau verte pénétra ma coque de sapin
Et des taches de vins bleus et des vomissures
Me lava, dispersant gouvernail et grappin.
Et dès lors, je me suis baigné dans le Poème
De la Mer, infusé d'astres, et lactescent,
Dévorant les azurs verts ; où, flottaison blême
Et ravie, un noyé pensif parfois descend ;
Où, teignant tout à coup les bleuités, délires
Et rhythmes lents sous les rutilements du jour,
Plus fortes que l'alcool, plus vastes que nos lyres,
Fermentent les rousseurs amères de l'amour !
Je sais les cieux crevant en éclairs, et les trombes
Et les ressacs et les courants : je sais le soir,
L'Aube exaltée ainsi qu'un peuple de colombes,
Et j'ai vu quelquefois ce que l'homme a cru voir !
J'ai vu le soleil bas, taché d'horreurs mystiques,
Illuminant de longs figements violets,
Pareils à des acteurs de drames très antiques
Les flots roulant au loin leurs frissons de volets !
J'ai rêvé la nuit verte aux neiges éblouies,
Baiser montant aux yeux des mers avec lenteurs,
La circulation des sèves inouïes,
Et l'éveil jaune et bleu des phosphores chanteurs !
J'ai suivi, des mois pleins, pareille aux vacheries
Hystériques, la houle à l'assaut des récifs,
Sans songer que les pieds lumineux des Maries
Pussent forcer le mufle aux Océans poussifs !
J'ai heurté, savez-vous, d'incroyables Florides
Mêlant aux fleurs des yeux de panthères à peaux
D'hommes ! Des arcs-en-ciel tendus comme des brides
Sous l'horizon des mers, à de glauques troupeaux !
J'ai vu fermenter les marais énormes, nasses
Où pourrit dans les joncs tout un Léviathan !
Des écroulements d'eaux au milieu des bonaces,
Et les lointains vers les gouffres cataractant !
Glaciers, soleils d'argent, flots nacreux, cieux de braises !
Échouages hideux au fond des golfes bruns
Où les serpents géants dévorés des punaises
Choient, des arbres tordus, avec de noirs parfums !
J'aurais voulu montrer aux enfants ces dorades
Du flot bleu, ces poissons d'or, ces poissons chantants.
- Des écumes de fleurs ont bercé mes dérades
Et d'ineffables vents m'ont ailé par instants.
Parfois, martyr lassé des pôles et des zones,
La mer dont le sanglot faisait mon roulis doux
Montait vers moi ses fleurs d'ombre aux ventouses jaunes
Et je restais, ainsi qu'une femme à genoux...
Presque île, ballottant sur mes bords les querelles
Et les fientes d'oiseaux clabaudeurs aux yeux blonds.
Et je voguais, lorsqu'à travers mes liens frêles
Des noyés descendaient dormir, à reculons !
Or moi, bateau perdu sous les cheveux des anses,
Jeté par l'ouragan dans l'éther sans oiseau,
Moi dont les Monitors et les voiliers des Hanses
N'auraient pas repêché la carcasse ivre d'eau ;
Libre, fumant, monté de brumes violettes,
Moi qui trouais le ciel rougeoyant comme un mur
Qui porte, confiture exquise aux bons poètes,
Des lichens de soleil et des morves d'azur ;
Qui courais, taché de lunules électriques,
Planche folle, escorté des hippocampes noirs,
Quand les juillets faisaient crouler à coups de triques
Les cieux ultramarins aux ardents entonnoirs ;
Moi qui tremblais, sentant geindre à cinquante lieues
Le rut des Béhémots et les Maelstroms épais,
Fileur éternel des immobilités bleues,
Je regrette l'Europe aux anciens parapets !
J'ai vu des archipels sidéraux ! et des îles
Dont les cieux délirants sont ouverts au vogueur :
- Est-ce en ces nuits sans fonds que tu dors et t'exiles,
Million d'oiseaux d'or, ô future Vigueur ?
Mais, vrai, j'ai trop pleuré ! Les Aubes sont navrantes.
Toute lune est atroce et tout soleil amer :
L'âcre amour m'a gonflé de torpeurs enivrantes.
Ô que ma quille éclate ! Ô que j'aille à la mer !
Si je désire une eau d'Europe, c'est la flache
Noire et froide où vers le crépuscule embaumé
Un enfant accroupi plein de tristesse, lâche
Un bateau frêle comme un papillon de mai.
Je ne puis plus, baigné de vos langueurs, ô lames,
Enlever leur sillage aux porteurs de cotons,
Ni traverser l'orgueil des drapeaux et des flammes,
Ni nager sous les yeux horribles des pontons.
O BARCO BÊBADO
Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.
Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
viam turbilhonar marés de verde e anil.
O vento abençoou minhas manhãs marítimas.
Mais leve que uma rolha eu dancei nos lençóis
das ondas a rolar atrás de suas vítimas,
dez noites, sem pensar nos olhos dos faróis!
Mais doce que as maçãs parecem aos pequenos,
A água verde infiltrou-se no meu casco ao léu
E das manchas azulejantes dos venenos
E vinhos me lavou, livre de leme e arpéu.
Então eu mergulhei nas águas do Poema
do Mar, sarcófago de estrelas, latescente,
Devorando os azuis, onde às vezes - dilema
Lívido - um afogado afunda lentamente;
Onde, tingindo azulidades com quebrantos
E ritmos lentos sob o rutilante albor,
Mais fortes que o álcool, mais vastas que os nossos prantos,
fermentam de amargura as rubéolas do amor!
Conheço os céus crivados de clarões, as trombas,
Ressacas e marés: conheço o entardecer,
A Aurora em explosão como um bando de pombas,
E algumas vezes vi o que o homem quis ver!
Eu vi o sol baixar, sujo de horrores místicos,
Iluminando os longos glaciais;
Como atrizes senis em palcos cabalísticos,
Ondas rolando ao longe os frêmitos de umbrais!
Sonhei que a noite verde em neves alvacentas
Beijava, lenta, o olhar dos mares com mil coros,
Soube a circulação das seivas suculentas
E o acordar louro e azul dos fósforos canoros!
Por meses eu segui, tropel de vacarias
Histéricas, o mar estuprando as areias,
Sem esperar que aos pés de ouro das Marias
Esmorecesse o ardor dos Oceanos sem peias!
Cheguei a visitar as Flóridas perdidas
Com olhos de jaguar florindo em epidermes
De homens! Arco-íris tensos como bridas
No horizonte do mar de glaucos paquidermes.
Vi fermentarem pântanos imensos, ansas
Onde apodrecem Leviatãs distantes!
O desmoronamento da água nas bonanças
E abismos a se abrir no caos, cataratantes!
Geleiras, sóis de prata, ondas e céus cadentes!
Náufragos abissais na tumba dos negrumes,
Onde, pasto de insetos, tombam as serpentes
Dos curvos cipoais, com pérfidos perfumes!
Ah! se as crianças vissem o dourar das ondas,
Áureos peixes do mar azul, peixes cantantes...
- As espumas em flor ninaram minhas rondas
E as brisas da ilusão me alaram por instantes.
Mártir de pólos e de zonas misteriosas,
O mar a soluçar cobria os meus artelhos
Com flores fantasmais de pálidas ventosas
e eu, como uma mulher, me punha de joelhos...
Quase ilha a balouçar entre borras e brados
De gralhas tagarelas com olhar de gelo,
Eu vogava, e por minha rede os afogados
Passavam, a dormir, descendo a contrapelo.
Mas eu, barco perdido em baías e danças,
Lançado no ar sem pássaros pela torrente,
De quem os Monitores e os arpões das Hansas
Não teriam pescado o casco de água ardente;
Livre, fumando em meio às virações inquietas,
Eu que furava o céu violáceo como um muro
Que mancham, acepipe raro aos bons poetas,
Líquens de sol vômitos de azul escuro;
Prancha louca a correr com lúnulas e faíscas
E hipocampos de breu, numa escolta de espuma,
Quando os sóis estivais estilhaçam em riscas
O céu ultramarino e seus funis de bruma;
Eu que tremia ouvindo, ao longe, a estertorar,
O cio dos Behemóts e dos Maelstroms febris,
Fiandeiro sem fim dos marasmos do mar,
Anseio pela Europa e os velhos peitoris!
Eu vi os arquipélagos astrais! e as ilhas
Que o delírio dos céus desvela ao viajor:
- É nas noites sem cor que te esqueces e te ilhas,
Milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor?
Sim, chorar eu chorei! São mornas as Auroras!
Toda lua é cruel e todo sol, engano:
O amargo amor opiou de ócios minhas horas.
Ah! que esta quilha rompa! Ah! que me engula o oceano!
Da Europa a água que eu quero é só o charco
Negro e gelado onde, ao crepúsculo violeta,
Um menino tristonho arremesse o seu barco
trêmulo como a asa de uma borboleta.
No meu torpor, não posso, ó vagas, as esteiras
Ultrapassar das naves cheias de algodões,
Nem vencer a altivez das velas e bandeiras,
Nem navegar sob o olho torvo dos pontões.
PREGUIÇA
Eu deveria ter postado uma notinha sobre Rilke hoje, mas me bateu uma preguiça tão grande que decidi falar sobre qualquer idiotice que me viesse à cabeça. Afinal, os blogs são para isso, inclusive. Não é mesmo?
A LISTA DEFINITIVA DE COISAS IRRITANTES - VERSÃO PADRE LEVEDO
Vou falar de coisas que me irritam profundamente. Tudo o que nos irrita é um sinal de fraqueza, pois num mundo ideal, seríamos todos totalmente "zen", flanando sobre as vicissitudes da existência como plácidas arraias-jamanta sorridentes. A merda é que eu tento, sinceramente, compreender por que certas coisas me irritam, e quase nunca consigo. E isso, inclusive, me irrita. Mas vamos à lista:
1. Choro de criança. Como as crianças gritam alto! Cruzes. É algo que me tira do sério em milissegundos. Tem uma frase que julgo perfeita e, sempre que posso, falo para o pai/mãe da criança gritona: filho é igual a peido, a gente só aguenta o nosso. Uma psicóloga me falou, certa vez, que possivelmente eu odeio choro de criança devido ao fato de ter chorado muito quando era bebê. De fato, eu gritava tanto que um amigo do meu pai me botou o apelido de "incomodatício".
2. Coisas que não funcionam. Eu só peço duas coisas para meus eletrodomésticos: funcionem e não me encham o sacão. Mas, por uma misteriosa rebeldia, eventualmente eles não funcionam. O videocassete, por exemplo, já quebrou duas vezes. Uma das vezes - a que me deixou mais puto - foi justo quando eu tinha alugado uma fita pornô cujo título era "Surubas Muito Especiais de um Bigode Filtrador".
3. Mulher nervosa. Eu adoro as mulheres. Me apaixono dezessete vezes por dia, em média. Gosto da maneira como elas se movem, do cheiro que elas têm, do olhar, dos peitos, da bunda, das pernas, dos lábios e tudo o que vem grudado junto. Porém, se você tiver que conviver (em casa, no trabalho ou mesmo no ônibus) com uma pessoa neurótica, torça para que seja um homem. Esses dias, li uma entrevista com um ladrão - por que o espanto? Se entrevistam o pessoal de Brasília... - que declarou, categoricamente: "prefiro assaltar os homens. São mais previsíveis". Até mesmo DEUS declarou, no livro de Provérbios, que é melhor dormir no telhado do que ficar debaixo do mesmo teto com uma mulher encrenqueira. E quem são vocês para duvidar do Todo-Poderoso? (Aliás, tenho que me lembrar de postar um apanhado de frases da Bíblia provando, de uma vez por todas, que Deus tem um senso de humor - digamos - divino)
4. Listas. Tchau.
FRUSTRAÇÃO
A vida às vezes nos dá a impressão de que somos moscas presas na teia do Destino, que logo surgirá, na forma asquerosa de uma enorme aranha, para chupar nossas tripas. Vou dar um exemplo. Sempre tive guitarras. Gosto da presença delas. Toco pessimamente, mas pelo menos me dou conta disso. A minha guitarra atual é uma Fender Stratocaster preta, fabricada no méxico. Comprei na época em que o dólar valia menos que um real, ou seja, foi um excelente negócio. Ela foi batizada como "negrinha III", já que era a terceira guitarra preta que eu havia comprado. Meu amplificador é um combo Marshall, de 30 watts. Traduzindo, um combo é um amplificador embutido numa caixa de som. Como desisti, praticamente, de ser um "guitar hero", a negrinha III faz parte da decoração da minha sala. Já o amplificador - tornado um trambolho inútil - serve de contrapeso para segurar a grade que impede Allan Holdsworth de sair da cozinha e cagar no tapete da sala. Como já falei nesse blog, o Allan é meu cachorro. Ele somente fica preso durante a noite: de dia é permitida a sua circulação pela casa toda. E eu penso, toda vez que coloco a grade na porta da cozinha, à noite, e a escoro com o amplificador: "Que merda. Aposto que seria bem mais divertido ser roqueiro do que analista!"
PARA NÃO HAVER CONFUSÃO
A Sylvia, citada abaixo, não é a Sylvia, citada mais abaixo.
SYLVIA PLATH
Sylvia nasceu em 1932 e se suicidou em 1963, aos trinta anos. Era de Escorpião e casou-se com um homem chamado Ted, também poeta mas que permaneceu após a morte dela sendo conhecido apenas como "o viúvo de Sylvia Plath". Ela era americana, e meio doida. Foi internada em hospitais psiquiátricos e - como era moda, na época - "tratada" com eletrochoques. Foi uma tarefa ingrata selecionar apenas um dos seus poemas para apresentá-lo aqui. Vamos ouvir a voz de Sylvia:
MIRROR
I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, only truthful -
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.
Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish
ESPELHO
Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, desanuviado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro.
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito sobre outro lado da parede.
Cor-de-rosa, salpicada. Há tanto tempo olho para ela
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ela oscila.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.
CONEXÕES
A história da Sylvia (veja no post abaixo) me lembrou uma entrevista com o Marlon Brando que li em algum lugar. O entrevistador perguntou se ele, de fato, tinha comido a Sophia Loren. Claro que usando palavras mais sutis do que as minhas, mas o propósito foi o mesmo. E o Marlon respondeu que não se lembrava. Então decidiu ligar - durante a entrevista - para a Sophia e perguntar pra ela se eles, alguma vez, tinham trepado. Tinham. Holy shit!
PROPAGANDA
Leiam na ICONOKLASTSBUND a descrição da noite de núpcias da Sylvia. É o post do dia 19 de Abril. Hilário. A melhor frase, disparado, é essa: "Que eu me lembre, não rolou nem sexo".
TEMOS BLOG DE GRAÇA, MAS A QUE PREÇO?
Mais uma vez o blogger enroscou e sumiu com um post. "O tempora o mores"(*), como diria Platão, sendo enrabado por um coletor de impostos. Computadores são muito legais - quando funcionam. Quando não funcionam (o que é, aliás, o normal), servem apenas como mais uma maquininha que inferniza a nossa vida, na mesma categoria dos celulares alheios que tocam sem parar, da máquina de lavar que estraga no fim-de-semana, da buzina de carro que grita "sai da frente, manoooo!" e outras pretensas facilidades modernas.
(*) "Ó tempos, ó costumes". E vão aprender latim, seus vagabundos!
SPEAK TUPINIK
Quando o carro do Élcio quebrou, ele o deixou na oficina, sábado de manhã, e foi tomar uma cerveja no boteco enquanto o mecânico fuçava naquela fubica, para descobrir o problema e dar um orçamento. Chegando no bar, ele deu aquela clássica barrigada no balcão e pediu a breja e uns torresminhos. Ficou olhando o movimento na rua, reparando na bunda da mulherada, e quando viu já tinha passado uma meia hora. Pagou, voltou e o mecânico disse:
- Olha, tem que trocar o murcinete.
Aí o Élcio estranhou.
- Como é que é?
- O murcinete. Vai na loja de auto-peças aqui do lado, compra um que eu troco na hora.
- De carro eu entendo um pouquinho, mas nunca ouvi falar dessa peça! Tá me enrolando?
O mecânico se ofendeu.
- Quiéisso, chefia. Vai por mim que é garantido. Vai lá, traz a peça que eu troco agora mesmo.
O Élcio foi, já achando que ia pagar o maior mico no balcão da loja. Chegou lá e falou pro atendente:
- Me vê aí um murcinete.
Imediatamente o sujeito desapareceu no meio das prateleiras e depois voltou com uma caixa. Colocou em cima do balcão e aí o Élcio pode ver o que estava escrito nela: "homeocinética"
COLUNISMO SOCIAL
Elza Soares, 72, cantora e viúva de Garrincha, está de namorado novo. O cara é 47 anos mais jovem do que ela, ou seja, tem 25. Nada contra, afinal tem muito velho rico por aí que vive rodeado de meninas. Mas também nada a favor. Até pode ser que este tipo de relação seja destituída de um interesse mais, ahn, pecuniário - e nem sempre isso significa dinheiro; pode significar, por exemplo, exposição -, mas sempre paira uma dúvida. Ou duas. A mulher ou o homem mais velho têm parceiros(as) muito jovens só pela carne nova? E o lado mais moço do casal só está nessa para obter alguma vantagem pessoal? Words, words, doubts, doubts...
EDWARD SULLIVAN E O EMPREGO PERFEITO
Na "CartaCapital" da semana tem duas páginas sobre um tal de Edward Sullivan, jornalista londrino, que possui um dos empregos mais invejáveis do mundo: crítico de pubs. Os pubs são uma versão inglesa de boteco. Pois o Ed ganha - aparentemente muito bem - para ficar bebendo cervejas excelentes, vinho, uísque, gim e genebra nos pubs e depois escrever artigos com suas impressões. Estima-se que ele seja lido por cerca de um milhão de pessoas.
Isso sim é que é emprego!
Leia as colunas do Ed em
http://www.thisislondon.co.uk/html/food/pubs/top_direct.html
HÁ TÍTULOS TÃO BONS QUE NÃO DEVERIAM TER LIVRO. E HÁ PLÁGIOS TÃO BEM FEITOS QUE O ORIGINAL NÃO DEVERIA EXISTIR. MAS JÁ QUE TEM E EXISTEM, O JEITO É PLAGIAR OS TÍTULOS E INTITULAR OS PLÁGIOS.
FERNANDO PESSOA (1888-1935)
Um dos poucos bons motivos para nascer no Brasil é poder ser alfabetizado (se você tiver sorte, claro) em português e poder, conseqüentemente, (se você tiver sorte, claro) ler Fernando Pessoa no original. Isso porque a poesia, traduzida, perde muito do seu sabor. É melhor aprender italiano para ler Dante, é melhor aprender inglês para ler Withman, é melhor aprender francês para ler Baudelaire. Ainda bem que Pessoa - grande poeta - nos poupou de mais um curso de idiomas pois escrevia em português mesmo. Famoso pelos seus heterônimos (Ricardo Reis, Alberto Caeiro, etc...), ele assinou alguns poemas como "Fernando Pessoa, o próprio", deixando bem explícito que não estava encarnando nenhum dos seus escritores-personagens inventados. Um destes poemas, reproduzido abaixo (escrito quando Pessoa tinha 25 anos), é somente um fragmento. Se quiser ler o poema todo, vá para http://www.secrel.com.br/jpoesia/fpessoa07.html
CHUVA OBLÍQUA
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
AÇOUGUE
Uma leitora mais afoita me perguntou qual o tamanho do meu pau. Sim, isso mesmo, pessoal. Vejam o que um pároco abnegado como eu, que dos votos sagrados apenas quebrou o da pobreza e o da castidade, tem que ouvir. Ela não especificou se queria saber das medidas em estado de repouso ou ereto, mas duvido que a dama estivesse interessada em um pau mole.
Que coisa curiosa. Qual a utilidade desta informação? Se eu respondesse, digamos, "Cara leitora: entre as pernas possuo 18 centímetros de masculinidade indômita, grossa e cabeçuda", acaso ela viria correndo sen \n'; document.write(barra); } } changePage();tar no meu colo? Duvido. Isso de julgar uma pessoa inteira com base em alguns pedaços da anatomia não dá certo mesmo. Que diga isso o Estevan.
O Estevan chegou em São Paulo vindo lá do sul. Trabalhava com design, vídeo e editoração. Como era um excelente profissional e não se importava com jornadas diárias de 12 horas extremamente puxadas de trabalho, logo encheu o rabo de dinheiro. Alugou um apartamento de dois quartos num bairro chique, comprou um carro e uma moto. Era solteiro. Um determinado dia, eis que ele me liga e convida eu e minha namorada para jantar lá na casa dele. Ok. Quando chegamos, trazendo umas seis garrafas de excelente vinho, quem abriu a porta para nós foi uma mulher belíssima, que nos recebeu com beijinhos no rosto. Fiquei bem impressionado. Além de ser bonita, a fulana tinha um corpo que era, certamente, meu sonho de consumo. Porém, me controlei, já que estava acompanhado e havia sido ameaçado de castração sumária pela minha namorada, caso ficasse arrastando a asa para outras fêmeas. As mulheres foram para a cozinha, e o Estevan foi me mostrar umas capas de revista que ele tinha feito no computador. Não me controlei e perguntei para ele: "rapaz, onde é que tu encontrou aquela mulher maravilhosa?" E ele: "é atriz de tevê, da novela tal, sabe?" Claro que eu não sabia. Os dois tinham se conhecido numa agência onde ele trabalhava e pintou um clima, sacomé?
Um mês depois, encontro o Estevan num barzinho, azarando a mulherada. Perguntei pela fulana atriz. Ele respondeu que não tinha conseguido aturar o papo idiota da mulher e deu-lhe um pé-na-bunda básico. Aí fiquei puto: "porra, cara, aquela mulher devia ser uma trepada fenomenal!" Ao que ele respondeu: "E era mesmo, o problema é que não dá pra ficar trepando o tempo todo. Quando ela tirava meu pau da boca e começava a falar é que era o problema!"
DA SÉRIE "ENSAIOS ZODIACAIS": MULHERES NATIVAS DO SIGNO DE TOURO
A mulher é mutável, já dizia Verdi. Porém, as meninas que nascem no fim de Abril ou no início de Maio fogem um tanto a essa regra. Conheci mais de perto apenas quatro taurinas até hoje, sendo que três no sentido bíblico, se é que você me entende. São mulheres um pouquinho, digamos, perseverantes e muito firmes de caráter. Tem gente que confunde isso com teimosia, o que não deixa de ter um fundo de verdade. As taurinas são regidas pelo planeta Vênus, que é a deusa da beleza e do amor. De fato, as que conheci eram todas bonitas, cada uma a seu jeito - mas não sei se minha opinião pode servir de parâmetro, já que sou um tarado assumido. Sendo um signo cujo elemento é Terra, Touro favorece as questões mais pragmáticas da existência. As meninas deste signo não têm tendência a ficar divagando. Dariam péssimas filósofas. O negócio delas é a prática, a ação e a lógica. Talvez seja esta a razão pela qual elas trepam tão bem. Isso, aliado a sua natural boa pinta, dá uma combinação explosiva. Devo confessar que sou maníaco por bundas femininas. E a melhor bunda que já vi na vida - sem exagero, era uma bunda tão perfeita que parecia mais uma tese de mestrado - pertencia a uma nativa do signo de touro. Como se não bastasse, ela usava aquela bunda maravilhosa de maneiras muito criativas. Afetuosas, práticas, objetivas e fodelonas, assim são as taurinas.
PEDRO E O LOBO
Existe uma pequena fábula russa que narra as façanhas de um jovem pastor, Pedro (creio que seja Piotr, apertando a tecla SAP). Pois esse cara tomava conta de algumas ovelhas, e tinha sido instruído para gritar "LOBO!" toda vez que avistasse algum. Assim o povo da aldeia onde ele morava sairia correndo com paus e enxadas e foices e pedras, para escorraçar o indesejado predador. Mas Pedro se entediou com a tarefa de pastorear as ovelhinhas, e gritou "LOBO!", mesmo não havendo nenhum ao redor. Vieram os homens da aldeia, assim que ouviram o alarme. Porém, não havia lobo, apenas um Pedro rolando de rir. Os homens se retiraram, furiosos. Não satisfeito, Pedro repetiu o trote. Novamente vieram os homens, e novamente se retiraram, mais furiosos ainda, pois não havia lobo algum. Mais tarde, naquele mesmo dia, o lobo, de fato, veio. Pedro, apavorado, gritou "LOBO!", e dessa vez era de verdade. Resultado: ninguém na aldeia veio em seu socorro, pois estavam de saco cheio com os seus alarmes falsos.
Existe alguma semelhança entre Pedro e alguns textos que circulam pela InterNet. O último que recebi era sobre uma "nova droga" que circulava clandestinamente em casas noturnas. O nome da substância é "EasyDate", algo que traduzido seria mais ou menos "Foda Fácil".
Bem, trata-se de um pó branco que pode ser confeccionado misturando medicamentos comuns, encontráveis em qualquer farmácia, e sem ter que apresentar receita. O "EasyDate", misturado a bebidas alcoólicas, é inodoro e insípido. Quando ingerido, transforma o consumidor em um dócil e obediente escravo, que pode desde preencher cheques e sacar dinheiro em caixas eletrônicos, até participar de surubas. Depois de umas oito horas, o efeito da droga passa e o infeliz sequer consegue se lembrar do que fez.
Se isso é verdade ou não, tanto faz. O que quero ressaltar é: já divulgaram tantas baboseiras pela InterNet que o veículo perdeu credibilidade. O que tinha tanto potencial como mídia ágil, barata e relativamente acessível, se transformou em uma propagadora de boatos. Alguns exemplos: McDonald´s usa carne de minhoca para fazer hambúrguers, livros didáticos americanos mostram mapa do Brasil sem a Amazônia, urina de rato mata consumidores de bebidas enlatadas, microondas provoca câncer, Ericsson dá telefones celulares de graça.
Temo pelo dia em que for divulgado algo realmente importante via InterNet. No meio destas bobagens que entopem caixas postais mundo afora, talvez ninguém dê bola. Talvez pensem que é mais um Pedro gritando "LOBO!"
O DIREITO DE IR-E-VIR
Dois cidadãos trepavam pacatamente debaixo do viaduto. O guarda chegou e foi logo dando o esporro:
- Pouca vergonha! Na via pública! Tamanhos marmanjos!
Antes que o guarda partisse para o uso da força, o passivo, que era uma versão Mike Tyson da Vera Verão, pediu ao parceiro com voz melíflua:
- Tira, Jorge.
Quando o outro saiu de dentro, o crioulão perdeu toda a feminilidade, agarrou o guarda pelos colarinhos e urrou:
- Escuta aqui, maninho, por acaso cê é dono da cidade?
O guarda, apavorado com a reação, entregou os pontos:
- Não.
- É dono da rua?
- Não.
- É dono do cu?
- Não.
Soltando o pescoço do guarda, o crioulo voltou-se para o outro e pediu com voz melíflua:
- Bota, Jorge.
MORAL DA HISTÓRIA: Entre bofão e bofete, não metas o cassetete.
WILLIAM BLAKE
"Eu preciso Criar um Universo ou serei escravizado pelo Universo de outrem;
não argumentarei tampouco compararei: minha missão é Criar."
As datas de 1757 e 1827 delimitam a vida de William Blake. Escritor, poeta, artista plástico, visionário, religioso e louco são fracas palavras para descrever este homem singular. Sua obra se destaca na literatura mundial por ser uma das coisas mais estranhas que já se ousou publicar. Não à toa, conhecia e admirava Swedenborg. Porém, chega de lero-lero. Vamos ouvir a voz de Blake. Eis um de seus poemas, extraído de "Poetical Sketches" (1783):
TO THE EVENING STAR
Thou fair-hair'd angel of the evening,
Now, whilst the sun rests on the mountains, light
Thy bright torch of love; thy radiant crown
Put on, and smile upon our evening bed!
Smile on our loves, and while thou drawest the
Blue curtains of the sky, scatter thy silver dew
On every flower that shuts its sweet eyes
In timely sleep. Let thy west wind sleep on
The lake; speak silence with thy glimmering eyes,
And wash the dusk with silver. Soon, full soon,
Dost thou withdraw; then the wolf rages wide,
And the lion glares thro' the dun forest:
The fleeces of our flocks are cover'd with
Thy sacred dew: protect them with thine influence.
À ESTRELA VESPERTINA
Tu, anjo vespertino de bela cabeleira,
Agora, enquanto o sol descansa em meio às montanhas, acende
Tua brilhante tocha de amor; põe tua radiante
Coroa, e sorri para nosso leito noturno!
Sorri para nossos afetos, e enquanto tu levantas as
Cortinas azuis do firmamento, espalha teu orvalho prateado
Em cada flor que fecha seus doces olhos
Para o sono, em tempo certo. Deixa o vento oeste adormecer sobre
A lagoa; fala silêncios com teus olhos ardentes,
E lava o crepúsculo com prata. Cedo, muito cedo,
Tu vais embora; então o lobo liberta a sua fúria,
E o olho do leão faísca através da negra floresta:
A lã dos nossos rebanhos está coberta com
Teu sagrado orvalho: proteja-os com tua influência.
VISTORIA
Notinha do jornal O Sul, hoje (página 2)
"Padre Natal Antônio Mella, de Petrolina, Goiás, exige que as moças apresentem atestado de virgindade para casar na sua igreja. E não aceita qualquer laudo: apenas os assinados por uma médica de sua confiança, católica praticante."
Acho válido, porém cu e boca não vêm com lacre. Como saber, oh Deus, se a moçoila já degustou um monjolo ou se já recebeu uma mandioca brava pela porta de serviço? Já dizia a grande atriz Eva Wilma: "pertenço à geração que casou semi-virgem". Aliás, nunca agradeceram à Igreja Católica por esta idiossincrática idolatria ao hímen, que data da época das cruzadas. Isto é uma injustiça! A valorização da virgindade, por mais de meio milênio, provocou o florescimento da sodomia e toda sorte de práticas orais. É a Lei da Oferta e da Procura: se tem mercado, vai ter fornecedor - de um jeito ou de outro. Confrontada com o pau duro do seu adorado, a mulher vai dar. Nem que seja o sovaco. Amém.
AURÉLIO SE REVOLVE NO TÚMULO
O e-mail abaixo foi extraído do site das "Delicias Cremosas" (www.deliciascremosas.com.br). O conteúdo homossexual da mensagem é totalmente irrelevante, eu quero chamar a atenção é para outra coisa. Leiam:
"Bem, eh o seguinte, eu tenho 17 anos e estou me sentindo muito atraido por um amigo meu... ele jah ssabe e tb sente as mesmas coisas q eu... mas diz q naum faz pq a religiao naum permite... ele eh catolico... diz q estah querendo ser cada vez mais catolico... e qdo pensa nisso, na atracao por pessoas do mesmo sexo, afasta esses maus pensamentos... queria q vcs me ajudassem a conquista-lo... assim... a fazer com q ele se esqueca um poucio deste lance de religiao..q se esse deus no qual ele acredita eh taum bom, ele aceita os homossexuais.... ele tem emdo do q sente e se repreende co isso... por favor me ajudem... acho q estou apaixonado.. ;p"
GLOSSÁRIO:
eh é
jah já
tb também
q que
naum não
pq porque
estah está
qdo quando
vcs vocês
taum tão
;p emoticon demonstrando certo desagrado irônico
Ok, ok. Vão me chamar de chato, agora. Mas, francamente, para que diabos esse sujeito freqüentou a escola? Para se expressar feito um lobotomizado, abreviando idiota e desnecessariamente as palavras, abusando das reticências e atropelando a pontuação? Perdeu tempo, o pobre coitado. Mas, não culpemos o ansioso veadinho: essa é a regra, não a exceção, em se tratando de textos que circulam na Grande Rede. Parece que, na Internet, se fala outro idioma. Pior, mais pobre, mais oco e mais idiota que o Português normativo. Fodam-se. Os que usam esta merda de dialeto não se dão conta que somos julgados - e muito - pela maneira de nos expressarmos. E a maneira como esse cidadão - e muitos outros - se expressa, é pavorosa.
Me lembrei de um cartum que vi faz alguns anos. Dois estudantes estão saindo da sala de aula e um comenta com o outro:
- Meu professor falou que meu vocabulário é execrável. Não entendi o que ele quis dizer com isso.