Padre Levedo
Quarta-feira, Setembro 25, 2002
DUAS LARANJAS

Tem gente que reclama de tudo. Do salário, da mãe da namorada, do dogão que veio com pouca batata-palha, e por aí vai. A moda agora é reclamar do horário de propaganda política. Mas não é tão ruim assim, pelo menos ele obriga você a procurar algo que fazer.

Eu não tenho TV a cabo. Só pagaria para assistir TV a cabo se metade dos 254300 canais que eles oferecem passassem apenas desenho animado, e a outra metade fosse da Penthouse. Quando a politicagem começou a pipocar na telinha, dediquei alguns minutos a olhar para aquelas pessoas. Achei o sorriso do Serra muito animador, e a Doutora Havanir - disparado - a mulher mais sexy que já participou de uma eleição.

Porém, como tudo o que é repetitivo enjoa, logo comecei a pesquisar minha vastíssima coleção de CDs e DVDs para distrair-me nos horários em que o pessoalzinho ficava de bla-bla-bla na TV.

Um CD.

"Orange" é uma das faixas do CD "AURA", de Miles Davis. Apesar de ter o nome de Davis, o material foi composto por um trompetista chamado Palle Mikkelborg. Ele trabalhou de maneira bastante mecânica na composição dos temas, mas deixou espaço para muito improviso. Todas as músicas receberam nomes de cores. Em "Orange" temos um solo do guitarrista John McLaughlin. Um solo áspero, quebrado, rude, esquisito. Não à toa, Jeff Beck uma vez declarou que caras como McLaughlin, além de deixá-lo puto, ainda por cima gravavam discos.

Passemos agora para um DVD.

"The Clockwork Orange" ("Laranja Mecânica"), de 1971, é um filme interessante não só pelos méritos próprios, mas pelas muitas histórias paralelas que o acompanham. O filme chegou ao Brasil com uns 10 anos de atraso - lembrem-se, tempos de ditadura militar. A Censura implicou com algumas cenas em que aparecia gente pelada. Pontos pretos de tinta foram aplicados à película nas cenas em que apareciam partes corporais julgadas indecentes dos atores, uma atitude que teve como resultado um interesse maior ainda pelo filme. E, como tudo o que a Censura faz, gerou uma infinidade de piadas.

"Laranja Mecânica" foi baseado no livro de Anthony Burgess, que é um dos maiores prosadores da língua inglesa. Talvez não seria exagero compará-lo a Swift, mas isso poderia ofender pessoas mais sensíveis. Burgess não conseguiu escrever um único livro que fosse chato. Em "Laranja Mecânica", como a história é sobre delinqüentes em algum ponto do futuro, Anthony teve que pedir ajuda a uma especialista em línguas para criar todo um arsenal de gírias futuristas. Você começa a ler o livro e não entende picas, até prestar atenção na página de rosto, que avisa: "o glossário está no final do livro"

Se não me engano, "Laranja Mecânica" foi um dos primeiros filmes com trilha sonora executada em sintetizador. Um Moog, daqueles antigos, verdadeiro trambolho, tocado por um cara chamado Walter Carlos. Pois esse tal Walter decidiu, depois de gravar a trilha sonora do filme e receber uma grana, que não queria mais ser homem (desconfio que ele já estava pensando nisso faz tempo). Mandou cortar o piu-piu fora e trocou o nome para Wendy Carlos. O sujeito é tão decidido a ser mulher que na página oficial dele só há referência a ele como "she". Meigo.

Mas o filme é magnífico. Conta a estória de um jovem facínora chamado Alexander DeLarge, em um futuro repleto de violência, políticos sem um pingo de honestidade, e adolescentes sem perspectiva de vida. Sounds Familiar?
Quarta-feira, Setembro 18, 2002
OITO LIÇÕES BÁSICAS PARA SE LIVRAR DO TELEMARKETING

1. Se oferecerem um cheque especial, diga que acabou de ser demitido e a oferta caiu do céu.

2. Quando disserem "Como você está?" responda, em detalhes, como você está. Algo tipo "Minha gastrite está horrorosa, cê nem queira saber. É. Estou pensando em operar, mas meu tio fez a operação e não resolveu." Ignore o que o(a) atendente disser. Fale sem parar até cair a linha.

3. Se a pessoa disser que é da empresa XYZ, peça para ele soletrar, bem devagar, nome e sobrenome, nome da empresa, endereço completo, etc. Faça perguntas pessoais.

4. Diga "não" sempre. Varie a entonação do "não". Faça muitas e longas pausas.

5. Se você é bonzinho e ouve pacientemente o que o atendente lhe diz, e recusa educadamente qualquer coisa que estejam tentando lhe vender, e cai no golpe final: "Você poderia indicar um amigo para estarmos oferecendo o produto?", responda, com voz bem sinistra: "Eu não tenho amigos... Você quer ser meu amigo?"

6. Se acaso for um lavador de carpetes: "Vocês tiram manchas de sangue, daquelas grandes?"

7. Deixe a pessoa falar e responda apenas "hã-hã", "sei", "que interessante". Quando pedirem o seu cartão de crédito, responda que você não fala com estranhos.

8. Diga ao sujeito que você está ocupado e peça para ele lhe dar o número que você ligará de volta. Se ele disser que não está autorizado a fornecer o número, peça para ele dar o de casa mesmo, que você liga à noite. Este é, provavelmente, o método mais eficiente para se livrar deles.
Terça-feira, Setembro 17, 2002
ELEPHANT TALK

SHHHHHHHH
SHHHHHHHH
Talk, it's only talk
Arguments, agreements, advice, answers
Articulate announcements
It's only talk.

Talk, it's only talk
Babble, burble, banter, bicker bicker bicker
Brouhaha, balderdash, ballyhoo,
It's only talk.
Back talk

Talk, talk, talk, it's only talk
Comments, cliches, commentary, controversy
Chatter, chit-chat chit-chat chit-chat
Conversation, contradiction, criticism,
It's only talk.
Cheap talk

Talk, talk, it's only talk
Debates, discussions (these are words with a "D" this time)
Dialogue, duologue, diatribe, dissention, declamation
Double talk double talk

SHHHHHHHH
SHHHHHHHH
SHHHHHHHH
Talk, talk, it's all talk
Too much talk, small talk, talk that trash
Expressions, editorials, explanations, exclamations, exaggerations
It's only talk.

Elephant talk
Elephant talk
Elephant talk
qual o pior regime político? a ditadura, quando o ditador é ruim.
qual o melhor regime político? a ditadura, quando o ditador é bom.
Sexta-feira, Setembro 13, 2002
O MACACO NU

Durante a infância, Darwin foi um garoto bem esquisito. Perdeu a mãe aos 8 anos - e como seu pai, um médico caretaço, pouco se lixava para os filhos, foi criado por uma irmã mais velha. Aos 22, apaixonado pelas ciências naturais, abandonou a faculdade de medicina e embarcou como naturalista no navio HMS Beagle em sua expedição à América do Sul e Oceania - algo semelhante, hoje, a ir a Júpiter. A viagem durou cinco anos - e fez de Darwin um sábio atormentado. Formidável expert em fauna, flora e geologia, ele começou a sacar que as espécies que melhor se adaptam aos seus ambientes estão mais aptas para sobreviver. Que as espécies evoluem - e isso se dá pela seleção natural, em que cabe à natureza a palavra final sobre quais vão em frente e quais vão para o brejo. Nós, seres humanos, não somos diferentes. Mesmo que apenas no nível instintivo, estamos, a cada geração, tratando de garantir nossa perpetuação. Mas, se tudo evolui a partir de alguma coisa, no caso do homem que coisa é essa? Resposta de Darwin: "Um quadrúpede peludo, dotado de um rabo e orelhas pontudas, que provavelmente vivia em árvores". Tais teorias atingiram feito um míssil o pensamento da época. Até então ninguém havia encontrado explicação melhor para a origem do mundo que aquela do Gênesis: a de que tudo que existe foi criado por Deus numa só tacada. Darwin demoliu essa idéia com seu livro A Origem das Espécies, mostrando que a natureza é implacável, um tremendo pega-pra-capar em que as criaturas, se não estão para viver, estão para morrer. E levou pau de todos os lados. Atormentado por tantas críticas, pelas próprias conclusões (sua formação era religiosa) e pela morte de sua filha predileta, Darwin enclausurou-se nas últimas duas décadas de vida. Sua saúde entrou num colapso crescente e inexplicável. Só depois de sua morte soube-se que ele sofria da doença de Chagas, contraída por uma picada de mosquito durante sua viagem à América do Sul. "E nós com isso?" Procure se lembrar de Darwin da próxima vez que vir dois marmanjos aos berros, numa discussão de trânsito. Ou a própria cara malbarbada no espelho, em meio a uma ressaca daquelas. E me digam: ele tinha ou não razão?
NOSTROMO

Câmbio descontrolado, bravatas nacionalistas, uma incômoda sensação de que estamos no coração das trevas, e o que você faz? Corre para a estante de economia? Talvez fosse melhor correr para a estante de clássicos e (re)ler Nostromo, de Joseph Conrad (1857-1924). 0 romance diz muito mais sobre a América Latina do que as obras incompletas de FHC. A trama se passa em Costaguana, país fictício da costa oeste da América do Sul. O empresário inglês Charles Gould herda a concessão de uma mina de prata na província de Sulaco. Gould não é exatamente um humanista, mas para explorar a prata é necessário construir estradas, reformar o porto e isso acaba por gerar empregos e transformar Sulaco na província mais rica de Costaguana - o que desperta a ira (e a cobiça) de políticos nacionalistas que resolvem "estatizar" a mina. Gould, para proteger o investimento, incentiva uma revolução separatista. A confusão está armada. No meio da bagunça está Nostromo, ex-marinheiro que se torna líder dos estivadores e acaba ficando com a guarda do carregamento de prata que deveria financiar a revolta. Um dos personagens, Martin Decoud, jornalista de Sulaco, resume a situação: "Qualquer governo, em qualquer parte, é coisa refinadamente cômica; entretanto, nós ultrapassamos os limites. Nenhum homem de inteligência comum consegue tomar parte nas intrigas de une farce macabre". Parece com alguma coisa que você já viu?
Terça-feira, Setembro 10, 2002
A DURA VIDA DOS MORDOMOS

Tem gente que nunca considerou seriamente a carreira de mordomo. Não me parece algo muito mais vil e humilhante do que ser, por exemplo, jornalista ou advogado. Senão vejamos: você é mordomo na Arábia Saudita, ganha 60000 dólares por ano mais casa, comida, plano de saúde e duas passagens aéreas para visitar a família nas férias (que você pode nem precisar se o sultão lhe emprestar seu Lear Jet). Pela manhã, você veste um colete cinza, calças pretas e jaqueta curta (fraques longos são somente para a noite) e enche os bolsos com um cortador de charuto, abridor de garrafa, saca-rolhas, cinco canetas, um bloco e escova de dente (sim, um bom mordomo escova seus dentes até oito vezes por dia) e mais duplicatas dos cartões de crédito do patrão, e muito dinheiro para o caso de algum negócio aparecer. Na cozinha, você passa a ferro o jornal (frente e verso), de modo que a tinta não manche as mãos do patrão ou da patroa. Páginas de negócios e esportes para ele, moda para ela. Use a gradação morna e nunca utilize o mesmo ferro para as camisas. Coloque o jornal no suporte da bandeja junto aos cafés da manhã e carregue tudo para cima. Bata, entre e verifique imediatamente o que se passa sob os lençóis.

Se houver algum estranho na cama do patrão, não entre em pânico. Vá até o lado dele como se nada de mais estivesse acontecendo. Se eles ainda estiverem em plena ação, recue e deixe a poeira baixar. Tussa baixinho, somente o suficiente para que ele perceba que você entrou, e saia de fininho. Espere alguns minutos, bata novamente à porta e volte. A essa altura, se tiverem um mínimo de educação, eles estarão recompostos. Nunca, em hipótese alguma, fique assistindo.

Mantenha sua boca sempre fechada. Os tablóides britânicos costumam oferecer fortunas pelo que os mordomos vêem, mas nunca diga nada ou jamais voltará a trabalhar. "Isso acontece", diz o inglês Ivor Spencer, que treina mordomos, "com a realeza, atores de novela e grandes nomes". Ele diz que os jornais o pressionaram querendo saber da vida privada de Lady Di. Nesses casos, Ivor recomenda a seguinte resposta: "Isto é informação privilegiada e não posso ajudá-lo, senhor. Sinto muito, senhor. Até logo, senhor." Outro mordomo inglês, Steven Barry, que trabalhou para o Príncipe de Gales, abriu o bico. Escreveu dois livros e agora trabalha em uma alfaiataria. Caiu em desgraça...

MAUS LENÇÓIS
Os jornalistas, entretanto, não serão seu único problema. A madame, caso enfrente problemas conjugais, também pode deixá-lo em maus lençóis. "A esposa do empregador é, com freqüência, mais jovem", diz Spencer. "Certa vez aconteceu com um de nossos mordomos em Nova York. Ela deitou-se na cama e disse: "Venha cá. Vamos conversar e ficar confortáveis." Sua resposta foi de acordo com o manual: "Senhora, gosto muito da senhora e de seu marido, mas a senhora me coloca em uma posição difícil. Tenho um bom emprego aqui."

Inclinar-se diante de seu empregador é a primeira coisa que você deve fazer pela manhã e também a última à noite - mas não mais que isso. Espere que ele diga: "Bom dia." Então, com seu braços dispostos ao longo do corpo, incline-se e responda: "Bom dia, lbn Saud Wooster." Ao inclinar-se, mantenha os olhos voltados para ele. Faça o mesmo para todos os convidados VIP que chegarem à casa ou saírem dela. Bem, quase todos. Se for o encanador ou uma garota de programas, limite-se a inclinar a cabeça.

Bem de leve, mas incline.
Segunda-feira, Setembro 09, 2002
COMO TORTURAR SEU CHEFE SEM DEIXAR MARCAS

Preterido em uma promoção? Sentindo-se usado e inútil? Não se torture... e sim a ele!

Tirando faíscas - Cassetetes elétricos são os instrumentos de tortura preferidos: pergunte a qualquer ditador sul-americano. Usados com cuidado, eles não deixam marcas - embora possam aplicar correntes de até 40 000 volts. Vende os olhos de seu chefe - assim ele não saberá quando e de onde virão os choques. Em seguida, passe o bastão por sua espinha. A perda espetacular de todas as funções corporais será o resultado. Puto, mas realmente mesmo puto com a promoção? Nesse caso, enfie o bastão no rabo dele. Mas lembre-se de ficar fora da mira intestinal dele - e certifique-se de não estar vestindo seu melhor terno.

Tortura On The Rocks - Coloque seu chefe de pé e descalço em um balde com gelo. Após uma hora, ele estará com dores. Após três, paralisado (o gozado é que essa modalidade de tortura está em alta no Sudão, onde não é fácil conseguir gelo). Se você é um amante da natureza, amarre-o em uma árvore em um dia bem frio e borrife-o com água gelada.

Água mole em cabeça dura... - A clássica tortura chinesa da água - gotas constantes pingando sobre a cabeça da vítima - o deixará louco, mas isso leva tempo. Forçá-lo a beber galões de água funciona mais rápido. Ele vomitará continuamente. Coloque um saco ou fronha embebida em água em sua cabeça. A água forma uma película sobre os pequenos buracos, bloqueando a passagem do ar. Há uma variante desta técnica que usa, ao invés de água, amoníaco (que pode ser comprado em qualquer farmácia ou supermercado). Empape o capuz com amoníaco e enfie na cabeça do seu chefe. Ele vai trancar a respiração. Você terá que amarrar fios elétricos nos dedos dos pés dele para que o cretino perca o controle sobre a respiração e inale o amoníaco, que queimará os seus pulmões. Seja breve, senão você terá que desovar um cadáver. Outra técnica, o popular "caldinho", é muito fácil de executar. Mergulhe repetidamente a cabeça dele num tanque cheio d'água, controlando o tempo para que ele não se afogue de verdade. Lembre-se, isto é tortura, não assassinato.

Falta de sono - Essa modalidade de suplício provocará náuseas, ataques de pânico e alucinações. Alexandr Soljenitsin descreveu magistralmente os efeitos deste procedimento em "Arquipélago Gulag". Pode ser usada como prelúdio de uma lavagem cerebral. Dispa-o, faça com que use o canto de sua cela como privada e remova todos os estímulos visuais. Após uma semana deixe-o dormir somente se ele repetir "Eu sou o Otávio Mesquita". Mais uma semana e ele acreditará que é mesmo - o que já é muita tortura para qualquer pessoa.

Dor de cabeça - Amassar a cabeça ainda é muito usado no mundo inteiro. Encaixe a do chefe em uma morsa acolchoada e aperte (não demais ou seu cérebro sairá pelo nariz). Coloque um balde ou capacete em sua cabeça e bata repetidamente. Seus filhos poderão ajudá-lo com isso.

Tortura localizada - Golpeie-o com um pequeno porrete, sempre em uma mesma e pequena área de seu corpo - por exemplo, o cotovelo ou a sola do pé, onde ele não se machucará com facilidade. Concentre-se somente naquela área. Depois de algumas horas, o menor toque será a agonia.

Comer e beber - Force-o a comer sal ou encha de sal a sua comida. Depois disso, negue qualquer líquido. E veja só o efeito.

Tortura mental - Avise-o com antecedência de uma tortura particularmente desagradável que pretende aplicar-lhe. Grave seus gritos de agonia e toque a fita para ele. Diga-lhe que você assassinou brutalmente todos os seus familiares. Pesquisas médicas na Bósnia demonstraram que 45% das vítimas de tortura sofriam de estresse pós-traumático crônico. Portanto, será enorme a probabilidade de que seu chefe não esteja em uma lista de pessoas aptas a retornar ao trabalho - e você poderá então se candidatar ao lugar dele.
Domingo, Setembro 08, 2002
DICA DE SITE

Eu até agora não sei como pude viver esse tempo todo sem ler jornais goianos on-line. Vá logo para o Jornal Opção e clique na coluna da Laila. Imperdível.
OSWALD DE ANDRADE (1890-1954)

Oswald e seu xará de sobrenome, Mário, são os mais lembrados da semana de 22. Não tenho especial afeição pelos escritos de Oswald, mas tem um livro dele que me diverte muito pelo estilo caótico e humor que - certamente - deve ter sido considerado quase pornográfico na casta década de trinta, quando foi publicado "Serafim Ponte Grande". Eu queria mesmo era escrever sobre o Mário, mas não consigo achar meu exemplar de "Macunaíma". Se alguém tiver o livro à mão, por favor, me envie o trecho sobre a sessão de macumba, que será reproduzido aqui com o devido crédito pela colaboração. Enquanto isso, vamos aperitivando com um pedaço de "Serafim".

VACINA OBRIGATÓRIA

Delegacia da autoridade que tem a cara arguta das 23 horas e procura um esparadrapo para o pudor da Lalá. Entre uma maioridade de soldados - nosso herói. Brasileiro. Professor de geografia e ginástica. Nas horas vagas, sétimo escriturário. Serafim Ponte Grande.
Lalá atirou-se do viaduto do escândalo ao primeiro sofá.


A Autoridade - Estais no hall do templo da justiça! Peço compostura ou pôr-vos-ei no xilindró número 7! de cócoras!
Benevides - Doutor! Minha senhora sabe que terá de conter sua dor de progenitora diante de V. Excia!

Benevides é estrela

A Autoridade - Eu compreendo que vós todos desejais o sacramento do matrimônio. Mas, modéstia à parte, no meu fraco parecer, o conjugo vobis...
Lalá - Ih! Ih! Pi! Fi! Fi! Ih!
A Autoridade - Que falta de noção do pundonor!
Mme. Benevides - Foi esse sem-vergonha, seu doutor! Ela não era assim, quando estava perfeita...
Benevides - Eu faço questão do casamento só por causa da sociedade!

Com um barbante invisível, puxa o police verso dos bigodes.

Lalá - Foi o Tonico, t'aí
Benevides - Quem minha filha?
Lalá - Já disse, pronto!
Serafim - Garanto-lhe, doutor, que foi o Tonico.
Mme. Benevides - Foi ele, seu doutor!
Serafim - Perdão! Eu não costumo mentir nem faltar com a verdade!
Mme. Bewevides - Olhe que eu conto! Bom!
Lalá - Eu acho que foi o Tonico...
Mme. Benevides (no primeiro plano) - Um dia, eu tinha chegado da feira e espiei pelo buraco da fechadura, a tal lição de geografia!
Lalá - Era ginástica.
Benevides - Respeitem este recinto!
Lalá - Com este frege, ainda não jantei.
Mme. Benevides (ao faturo genro) - lata de lixo!

Sai pela direita

Lalá (soluçando) - Serafim, escolha... ou você casa comigo ou eu vou para um alcouce!
Serafim - Isso nunca!
Vozes - Então casa! Casa! Casa!
Uma Voz - Faz o casamento fiado!
Serafim - Mas andaste duas vezes de forde com o Batatinha!
Lalá - Por isso que eu estava ficando louca lá em casa!

O soldado abre as grades das maxilas. Conduzem Serafim gado e séquito para debaixo do altar da Imaculada Conceição.
Sábado, Setembro 07, 2002
O BAIRRISMO GAÚCHO PUNHETANDO NA MÍDIA

EXPLICAÇÃO PRELIMINAR
Quem visita o site da Cris Camargo sempre se diverte com seus textos. Além de talentosa, ela tem um senso de humor ácido o suficiente para derreter vidro. Num dos seus últimos posts, que reproduzo aqui com a devida autorização, ela toca num assunto que deveria ser coisa do passado, mas infelizmente persiste como uma espécie de idiotia crônica na mente do povinho do rio grande do sul: o bairrismo. A Cris, que é gaúcha, não dá refresco pros conterrâneos e senta a pua - com razão - na mídia provinciana e masturbatória que infesta aquelas paragens meridionais. Vamos ouvir o que a moça tem a dizer.


Pois bem, nas últimas duas semanas a mídia local alvoroçou-se diante da revelação de que o livro de uma escritora-gaúcha-casada-com-publicitario-gaúcho-famoso-e-bem-relacionado vai virar minissérie da Globo. A mulher só é conhecida por ter se casado com o tal publicitário-famoso e feito disso um circo com direito a aparição no Fantástico. Há três anos atrás, o romance (deles) virou livro e seu desenrolar exposto como se fosse uma graaaande novidade que jamais acontecesse nos dias de hoje, imagine: duas pessoas se conhecem pela internet e namoram pela internet e se conhecem pessoalmente e namoram e se casam e foram felizes para - *aham* - sempre. Então, graças ao talento do maridinho - (que eu conheço e de quem fui testemunha de algumas histórias beeeeem podrinhas, né, Laíse???) - para promoção, o namoro virou livro, o casamento foi pra mídia e ele, claro, vai dar uma forcinha na carreira da mulherzinha, como convém no mundinho da troca de favores.

E dê-lhe capa de Caderno Dominical mais duas páginas centrais só pra "noticiar" o que poderia sair numa notinha de contracapa. E dê-lhe página inteira de Caderno de TV pra anunciar que Tiago Lacerda ganhou um dos papéis masculinos da trama (sobre a qual não deve ter se ouvido nem um ai nem um ui no centro do país). E dê-lhe punhetação bairrista ... "Dããããã... romance de uma gaúcha vai virar minissérie da Globo, dã, dã, dãããã..." . Não, não exaltam a qualidade do texto da moça, a boa história, o valor literário ou histórico da obra. Não, nadinha, nada além do fato de que A AUTORA É GAÚCHA e pronto. Para a mídia local, é só isso que importa. Haja saco.

Cara, a mídia gaúcha é como um homem que, se pudesse, se masturbaria esfregando a cabeça do pau só em volta do próprio umbigo - "dããã... dããããã... meu estado é meu país... dããããã... dããããã..." - e que só não faz isso porque o pau não alcança.
Sexta-feira, Setembro 06, 2002
CURRICULUM VITAE

Figura dinâmica, sou visto com freqüência escalando muros e esmagando gelo. Já houve casos em que remodelei estações ferroviárias na minha hora do almoço, aumentando sua eficiência no aspecto relativo à retenção de calor. Traduzo insultos de teor étnico para refugiados cubanos. Componho óperas ganhadoras de prêmios. De vez em quando, passo três dias a fio dentro d'água, mexendo os pés para permanecer boiando ereto.
Seduzo mulheres com meu jeito sensual e quase divino de tocar o trombone. Consigo subir vários morros seguidos de bicicleta sem perder velocidade ou fôlego, e sei assar brownies de 30 minutos em 20. Sou especialista em estuque, veterano no amor e fora-da-lei no Peru. Certa vez, com a ajuda de apenas uma enxada e um copo d'água grande, defendi sozinho uma pequena aldeia da bacia amazônica contra a invasão de uma horda de ferozes formigas assassinas.
Toco bluegrass no violoncelo. Sou tema de diversos documentários. Quando estou entediado, me divirto construindo pontes suspensas no meu quintal. Os críticos do mundo todo deliram com minha linha original de moda para a noite feita de veludo cotelê. Não transpiro.
Sou cidadão particular, mas recebo e-mails de fãs. No verão passado fiz uma turnê pela Tunísia com uma demonstração viajante de força centrífuga. Meus arranjos florais cheios de graça já me conferiram fama nos círculos botânicos internacionais. As crianças confiam em mim. Consigo atirar uma raquete de tênis contra pequenos objetos voadores com precisão letal. Certa vez li Paradise Lost, Moby Dick e David Copperfield em um só dia, e à noite ainda me sobrou tempo para redecorar uma sala de jantar inteira. Já desempenhei várias operações sigilosas para a CIA. Durmo uma vez por semana; quando durmo, o faço numa cadeira.

OSTRAS E HAMLET

As leis da física não se aplicam a mim. Eu rebolo, driblo, me desvio, passo pelo lado e pago todas minhas contas em dia. Nos fins de semana, para relaxar das tensões do dia-a-dia, pratico origami full-contact. Anos atrás descobri o significado da vida, mas me esqueci de anotar. Crio ostras vencedoras de prêmios. Já ganhei touradas em San Juan, competições de mergulho de penhascos no Sri Lanka e concursos de ortografia no Kremlin. Já representei Hamlet, fiz cirurgias cardíacas e conversei com Elvis.

Você, leitor fiel desse blog, provavelmente terá um grande susto quando souber que a biografia editada acima reproduzida NÃO É a de Padre Levedo. Tá bom, tá bom, não chore! Claro que sua decepção é compreensível. Mas o texto acima mostra algo relativo ao humor na Internet. Há aquela velha história dos prisioneiros que contavam as mesmas piadas uns aos outros, até as terem catalogado numericamente. Depois, tudo que precisavam fazer era falar os números para explodirem em gargalhadas de rachar.
Com o advento da Web, esse processo parece ter se metamultiplicado dig
italmente. Em lugar de atribuir números às piadas, como faziam os presos, repassamos URLs engraçadas uns para os outros.
Comprove você mesmo. Utilize qualquer um dos sistemas de busca na www para procurar uma combinação esdrúxula de palavras (em inglês mesmo): sensuous e trombone. Você vai ficar espantado com o número de pessoas que têm home pages pessoais que repetem a paródia reproduzida acima de um texto biográfico redigido por um universitário candidato a um emprego. Se tiver a paciência necessária, vai encontrar centenas delas ali fora, enfeitando as páginas dos sistemas de busca na Internet. Além de nos prover sites e home pages engraçadas, a Web aponta o dedo para aquilo que nós, o povo que vive on line, acha que o humor realmente é.
Quinta-feira, Setembro 05, 2002
AQUI NINGUÉM É SANTA

Quando ficam ricos e famosos, os astros de cinema começam a dirigir filmes. E as estrelas? Escrevem biografias. Encontrar segredos de alcova nesses livros é outra história. Ou, como dizia Brad Darrach, crítico de cinema da Time: "Livros escritos por estrelas são como estátuas que choram - muito suspeitos".

AVA GARDNER - Frank Sinatra perdeu a cabeça por ela. Com razão. Diz a lenda que Ava possuía aquela maravilha da anatomia feminina chamada vagina dentata. Ao comentar a relação com Sinatra, a estrela confidenciou: "Éramos grandes na cama. As brigas começavam a caminho do bidê". Quando o casamento foi para o brejo - e Sinatra se amarrou à anoréxica Mia Farrow (fase O Bebê de Rosemary) -, Ava foi arrasadora: "Eu sabia que ele ainda acabaria ao lado de um rapazinho..."

LANA TURNER - Lana passou por todas as camas de Hollywood que, felizmente, era um lugar pequeno à época. Só pisou no freio depois que sua filha, Cheryl, invadiu a alcova e matou a facadas o amante da hora, John Stompanato. Turner é autora de um, vá lá, pensamento, que dá bem a dimensão de sua febril atividade sexual: "Acho os homens terrivelmente excitantes, e qualquer mulher que disser que não acha é uma solteirona anêmica, uma prostituta ou uma santa".

LINDA LOVELACE - Dizem que a atriz que fez fama com o filme pornô Garganta Profunda teve uma legião de homens a seus pés (e em diversas outras posições). Sobre um deles, Sammy Davis Jr., grande amigo de Frank Sinatra, deixou escapar esta indiscrição: "Sammy Davis Jr. tinha seu próprio código de fidelidade conjugal. Me disse que podia fazer qualquer coisa comigo, menos sexo normal, pois isso seria enganar sua mulher".

BO DEREK - o fotógrafo John Derek sempre foi tarado. Exibiu tanto (e de tantos ângulos) sua mulher, Bo Derek, que nada restou para a imaginação dos muitos admiradores dela. Mas foi a filha de John, Sean Derek, quem fez, certa vez, uma confissão que causou espanto até mesmo entre a assanhada comunidade hollywoodiana. Ela contou que, ao iniciá-la nos meandros do sexo, o pai levou ao pé da letra a lição. "Sua descrição de como tocar um homem foi de tal modo explícita que aprendi tanto sobre o assunto quanto uma prostituta."

TALLULAH BANKHEAD - Melhor só mesmo uma pérola dessa incendiária atriz dos anos dourados de Hollywood: "Tentei vários tipos de sexo. A posição convencional me dá claustrofobia. As outras me dão dor no pescoço ou me deixam de queixo duro".

BRIGITTE BARDOT - Brigitte, ah, brigitte... sonho confesso e inconfessável de milhões de homens em outros tempos, foi uma deusa do sexo que deixou por onde passou um rastro de frases e provocações que até hoje incendeiam a imaginação. A mais romântica: "Sou uma gata transformada em mulher. Eu ronrono, arranho e, às vezes, mordo". A mais safadinha: "Preciso de homem toda noite".

MARYLIN MONROE - "Não preciso de psiquiatra, preciso de homem". A frase, claro, é de Marylin - e não deixa dúvidas sobre a importância da atividade sexual em sua vida. Protagonista de um rumoroso caso com o ex-presidente John Kennedy (numa época em que os EUA eram bem menos hipócritas do que hoje), Marylin também fez uma declaração peçonhenta sobre a primeira dama, Jackie Kennedy: "Ela é muito formal! Aposto que ele não enfia a mão embaixo da saia dela. Aposto que ninguém enfia".
Quarta-feira, Setembro 04, 2002
VOCÊ É UM RIDÍCULO?

Se você dirige como um troglodita, conta vantagens insuportáveis, tenta esconder a careca com os fios que restaram, zomba de mulheres e alardeia sobre a situação de sua hérnia de disco, lamentamos informar que a resposta é... sim, você é ridículo. Só às vezes, não se ofenda. Em algum momento, todo mundo pode ser - quem escreveu este texto inclusive. Lembra-se daquele poema "Todas as cartas de amor são ridículas. Mas mais ridículo é quem nunca escreveu cartas de amor"? Sábio Fernando Pessoa. Pois é. Posar de ridículo é mais ou menos isso. Fazemos algo bobo na tentativa de parecermos menos vulneráveis, mais seguros e melhores aos olhos do mundo e do ser amado. E é justamente assim que parecemos mais ridículos. Na verdade, o candidato a ridículo é, na maior parte das vezes, um bom moço, inseguro e carente, que quer ser aprovado. Nas vezes restantes, bem... nas vezes restantes ele é um bobalhão mesmo. Ou, na melhor das hipóteses, alguém com carência de senso estético ou de oportunidade.

Listamos, a seguir, algumas situações que são atestado ostensivo de marketing pessoal desastrado. Protagonizar até três delas de vez em quando, ou já tê-las vivido um dia, é admissível. Humano. Mais do que três, cometidas sempre, um vício de personalidade, vá lá. Protagonizando mais de cinco dos itens, reincidentemente, preocupe-se - você pode ser identificado em uma roda de moças assim: "Xi, lá vem aquele cara ridículo". Será que você é este cara?

1. VOCÊ E O CARRO: UMA RELAÇÃO ANCESTRAL.

Homens amam suas máquinas, compreende-se. Mas, para alguns, aquele espaço sobre rodas é a demarcação de seu terreno e a extensão de sua masculinidade. Essa relação parece patética quando:

- Você dirige como se estivesse em um fliperama. Fala, gesticula, xinga, costura no tráfego pesado. Emparelha com o carro do lado - uma senhora aposentada em um Fusca 72 - para chamá-lo para a briga da selva. Crê que os demais são inimigos, que o cercam apenas pensando em como liquidá-lo.
- Você gruda adesivos engraçadinhos no vidro. São seus haicais ideológicos. Devem demonstrar como você é espirituoso, descolado e bacana. Como aquela que diz: "Se me vir abraçado com uma mulher feia, pode apartar que é briga". Ou as em inglês (sim, você esteve em Miami): "Dont follow me, I'm lost".
- Você tem um toca-fitas de gaveta e chega às festas carregando-o.
- Você passa o domingo lavando seu carro. O argumento: lava-rápido risca a pintura. A verdade: é sua chance de acariciar toda aquela potência.
- Você ouve o rádio altíssimo. De portas abertas, enquanto aspira os tapetes (o urso lavando sua toca, poderoso e feliz), ou de portas fechadas e vidros abertos, andando pela cidade. E fica balançando, orgulhoso, naquele fundo estridente quiçá/quiçum/quiçá/quiçum, tendo a certeza (pela busca de olhares aprovadores ao seu redor) de que todos o invejam.

2. PERGUNTAM COMO VOCÊ VAI. E VOCÊ RESPONDE. DE VERDADE.

3. VOCÊ CONTA VANTAGEM DE TODOS OS TIPOS.

No trabalho, diz para os colegas depois de uma conversa com o chefe: "Eu disse tudo o que pensava. Ah!, comigo é assim, disse mesmo". E o que você disse, entre quatro paredes, em uma cadeira propositalmente mais baixa e humilhante que a de seu chefe, foi: "O senhor tem toda a razão, força total, vamos nessa".

- Você não leva desaforo pra casa. Há um certo orgulho nisso: você resolve a coisa aqui e agora, destemido, corajoso. É sua a frase: "Aí eu pus o dedo na cara dele e disse 'repete se for homem'". E, na vida como ela é, o outro repetiu, você amarelou - e nada aconteceu.
- Você adora mostrar que faz bons negócios, e faz questão de perguntar: "Tá vendo este casaco aqui? Quanto você acha que eu paguei?" A pessoa diz, entediada: "200". Você, então, brilho orgástico nos olhos, retruca, vencedor: "50!"

NOTA: Há aqui a possibilidade de vingança contra o ridículo, caso ele não seja você mesmo. Ele quer que você levante a bola para ele cortar. Não a levante. Ele faz a tal pergunta, "adivinhe quanto etc", e você, que quer dar um basta neste aluguel, responde nivelando por baixo: "Não mais que 30". Pronto. Aí, ele vai se desmanchar em explicações sobre as qualidades do casaco: "Mas é legítima pele de foca, trazida por renas, do Pólo Norte etc."

4. VOCÊ MENTE A IDADE.

Depois dos 33 anos você sente comichão para diminuir os anos de vida. É uma idiotice, mas uma idiotice irresistível. Torna-se quase um vício. O pior é quando, no meio da conversa, você acaba sendo desmascarado - diz, por exemplo, que se lembra da época em que Michael Jackson era negro e daquele gol de cabeça de Pelé na Copa de 70. Aí, de repente, vê a garota de 23 com quem está, assombrada, dizer: "Negro? O Michael Jackson? Não acredito!" Aí, colega, sujou.

5. VOCÊ TENTA ESCONDER A CARECA.

O esforço é hercúleo e lhe toma 20 minutos todas as manhãs. Você pega um fio remanescente da lateral, faz um meio círculo ao redor da testa profunda e fixa-o com gumex (já tentou até a cola de unhas postiças da mulher, escondido, claro) do outro lado. O trabalho é fio a fio e o resultado esclarecedor: você se parece com um careca complexado.

6. VOCÊ CONHECE A ÚNICA RECEITA CERTA DE CAIPIRINHA.

7. VOCÊ ADORA TIRAR (SEMPRE O MESMO) SARRO DOS OUTROS.

"Como vão esses cabelos ondulados, rã rã, quer dizer, um do lado outro do outro?" A mesma velha piadinha você faz com seu pobre cunhado todos os domingos - há 15 anos. O cunhado o despreza, sua mulher o olha com piedade toda vez que você diz isso e seu sogro já o tirou do testamento porque não agüenta mais o mesmo sarro. Mas você segue impávido, insistindo na falta de criatividade e inteligência.

8. E TORNA-SE UM TOURO BRAVO QUANDO A PIADA É COM VOCÊ.

Um dia o cunhado revida e diz: "Você comprou esta camisa xadrez do Tiririca?" O sogro rola de rir, sua mulher não disfarça o risinho. Você fecha a cara e parte para a vingança: no jogo de pôquer, um jogo vespertino, do qual até seu filho de 10 anos participa, você fica inquieto, olhos assassinos. À sua frente, apenas o objetivo de destruir o cunhado e resgatar a honra de sua camisa xadrez. A perseguição pelo cacife de feijões do cunhado é tamanha que todo mundo fica estressado, e vai abandonando a mesa. Para ganhar, você paga qualquer preço, inclusive o de jogar sério contra seu filho, tomar todos os feijões dele e assim ter mais cacife para destruir seu cunhado. O filho sai do jogo abrindo o berreiro, sua mulher pergunta por que o garoto está chorando; fica furiosa, etc. etc. etc.
Não é ridículo?

9. VOCÊ ADORA FALAR DA EFICIÊNCIA DOS SEUS INTESTINOS.

No seu entender, há no mundo duas categorias de pessoas: as que sofrem de obstipação e as que vivem a lei do ventre livre. Você crê que interessa a todas - pessoas, inclusive, que acabaram de lhe ser apresentadas - a freqüência com que vai ao banheiro, a que horas e que tipo de comida tem efeito devastador ou inibidor para seus intestinos. É o tipo que diz: "Não, obrigado, suco de laranja me solta o intestino, fico mal mesmo". Escute, meu amigo, a anfitriã só quis ser gentil oferecendo um suco de laranja, nada mais, e você vem com ofensas...

10. VOCÊ É ONOMATOPAICO.

Sua função cerebral da fala às vezes entra em curto.

- Você usa sons como "pah, pum, soc" para descrever uma luta do Mike Tyson ou "ririririririri" para descrever uma curva fechada.
- Quando se refere a uma mulher bonita, diz "Nossa, ela era uaau!"; e repete: "Super-uau". Ou a uma transa: "Hum, foi, hum, nossa, super..."
- Nos diálogos, é incapaz de formular pensamentos de maneira tradicional. Irrita o interlocutor com evasivas (por pura falta de vocabulário), sobretudo se o interlocutor é mulher, que geralmente gosta dos pingos nos is. Imagine a discussão seguinte.
Ela: E então, o que você acha de mudar de área no trabalho?
Você: Ah, sei lá. As coisas são como são, sei lá... De repente, era para ser.
Ela: O que você quer dizer exatamente?
Você: É... é uma boa. Mas, sei lá, ó, fica fria, é só o começo.
Ela: Fica fria, eu? Só quero saber o que você está achando...
Você: Demais, demais.
Ela: É um trabalho que desenvolve seu outro lado, mais criativo, não?
Você: Super tem a ver comigo. Não!, fica fria, vou arrepiar, é demais. Vai ser demais. Super, super... Pô meu, esse chope tá quente. Garçom, ô chapa, ó'qui!
Ela: Ok, vamos tentar de outro jeito: pisque uma vez se a resposta for sim e duas se a resposta for não.

11. VOCÊ PALITA OS DENTES À MESA.

12. VOCÊ USA PULSEIRA GROSSA DE OURO.

13. VOCÊ ADORA SEXUALIZAR AS COISAS MAIS REMOTAS, DE LINGÜIÇA A BEXIGA.

Talvez também por falta do que dizer, você consegue encontrar em todas as observações e objetos algo que lembre pênis, potência masculina e sexo. É seu assunto predileto. Talvez por ausência da prática.

- Em um churrasco, você diz: "Pô, o Zeca adora uma lingüiça, hem, Zeca, hem! Confessa, Zeca! Você adora uma lingüiça".
- No aniversário de 3 anos do sobrinho você coloca no meio das bexigas uma camisinha. Bem malandrinho, morre de rir da menininha que quer brincar com ela, e fica dizendo para todo mundo ouvir: "Ah!, já conhece, hem, safada!..." para tristeza da sua irmã, que tem vontade de pulverizá-lo no microondas.

14. VOCÊ ACHA QUE SEXO É, NO FUNDO, UM FEITO EXTRAVAGANTE QUE SÓ OS BRAVOS PRATICAM E QUE DEVE SER TRATADO POR CÓDIGO. MAS EM VOZ ALTA.

Todo mundo pratica sexo desde que o mundo é mundo, mas para você isso ainda é um grande feito, uma "sacanagem", que deve ser alardeada e premiada.

- No trabalho fala em voz alta, para os amigos: "Se conheço a Rossana? Comi um frango ao curry na casa dela, que vou te contar". E arremata, cheio de vigor e malícia: "Que frango, rapaz, que frango! Ela cozinha, coooozinha, que é uma beleza". E todos ao redor, para quem o sexo é tão extraordinário quanto era no ginásio, quando se passavam revistas de mulher pelada de mão em mão, riem cúmplices.

NOTA: O fato é que, quando garotos, enquanto você e seus amiguinhos espinhentos se sentiam bárbaros por terem acesso a revistas pornográficas, as meninas que se sentavam nas carteiras do lado, silenciosas, já transavam com os garotos da classe mais velha. Pois é, velho, nada mudou.

15. VOCÊ TINGE O CABELO DE ACAJU.

16. VOCÊ CLASSIFICA AS MULHERES: FEIAS E BONITAS, COMESTÍVEIS E NÃO COMESTÍVEIS, ETC.

- No cinema você faz barulhos como "hummm" quando aparece a Sandra Bullock de short. Depois do filme fica repetindo quanto ela é "boooa" atriz. Para sua mulher.
- Você tem nariz seboso, barriga proeminente e foi bonito só até os 5 anos de idade, no entanto cataloga as mulheres com a impiedade de um deus. Diz, por exemplo: "Nossa, que mocréia, mulher feia devia ser proibida de sair de casa" - quando essa "mocréia" provavelmente não pensaria em dar sequer uma olhada de desprezo para você. Ou: "Mulherão, por ela eu roubava e matava", e sua mulher ao lado pensando que faria o mesmo para você deixar de ser cretino.
- Sua mulher é charmosa e bonita, no entanto você acha que as da Playboy são sempre melhores - e o pior: reais. Acredita que as playmates acordam com aquela cara esticadinha e não têm uma maldita celulite. Quando, caro leitor, nós sabemos do que são capazes um bom produtor e uma máquina de retoques de fotos.

NOTA: Além do mais, um sério estudo demonstra que mulher sem celulite é fraca de cama.

17. NA FRENTE DOS OUTROS, VOCÊ POSA DE RICO OU DE NOBRE.

Todo mundo sabe que você usou calça curta até os 18 anos no interior de Goiás, mas você não se conforma...

- Quando está na casa de gente que idolatra (que tem mais berço ou dinheiro que você), muda a postura, assume um olhar esnobe e diz: "Não dou folgas todos os fins de semana aos criados lá em casa". Criados!
- Em um restaurante, você chama o maître e diz: "Atente para que o faisão venha rosado, sim?" É sua frase-chave para maîtres, vale inclusive para quando o pedido é peixe.
- Você salpica suas frases com palavras estrangeiras. "Aqui se trabalha nine to five". Ou: "Estava a côté dela". E, pior: "É o birthday dele hoje".

18. VOCÊ ADORA VALORIZAR E ALARDEAR SUA DOENÇA.

- "O médico se impressionou: disse que nunca, em toda sua carreira, tinha visto um cisco deste tamanho no olho de ninguém". Ou: "Ele disse que não sabe como não me queixei antes, todo mundo que tem isso não se levanta da cama". E vai por aí.
- Você divulga sua doença aos quatro ventos. Em voz alta. "Não posso carregar peso, tenho uma hérnia de disco do tamanho de um rolimã..." Ou você encontra o sujeito no corredor da empresa e diz: "Puxa, você sumiu. Estava de férias?" E ele: "Nada. Tive de operar minha hemorróida, estava uma calamidade, nem te conto...", e entra nos detalhes, dos quais, leitor, nós o pouparemos.

19. VOCÊ FALA COMO NENÊ NA CAMA E, ÀS VEZES, FORA DELA.

20. VOCÊ AINDA ACHA QUE VAI SER ROCK STAR.

- E toca guitarra no vento, se olhando no espelho.
- Também tem esperanças de tornar-se piloto de Fórmula 1. Acha que, se tivesse a máquina do Schumacher e Interlagos ao seu dispor, seria moleza - tudo questão de oportunidade.

21. VOCÊ SE FAZ DE DIFÍCIL.

- Se faz de difícil inclusive quando a mulher para quem você se faz de difícil nem sabe de sua existência. O que o torna mais que ridículo: patético. Diz, por exemplo, que vai ligar às 18, e fica fazendo hora para ligar atrasado. Quando ela atende, pede licença para desligar porque está com "pessoas" em casa.
- Enrola com um sujeito (que você nem conhece direito e, pensando bem, considera um chato) em um bar para chegar um pouco mais tarde ao encontro com a moça. Chega lá e diz: "Nossa, quase me esqueço do nosso encontro, ainda bem que marquei na agenda".
- Quando está com uma namorada pede para uma prima ligar e fingir que é outra "apaixonada". Quando desliga, diz: "É um problema, ela não me esquece..."

22. VOCÊ USA O COLARINHO PARA FORA DO BLAZER, TIPO SEMANA DA ASA.

23. VOCÊ TRANSA COM UMA MULHER E CONTA PARA OS AMIGOS. EM DETALHES.

24. VOCÊ FALA MAL DA SUA MULHER E DE CASAMENTO.

- Subestima sua mulher, fazendo piada dela para os amigos (na frente dela): "Liga não, gente, ela costuma dirigir com o freio de mão puxado".
- Caçoa do casamento. Diz que foi a pior besteira que fez na vida e entabula aquelas velhas piadinhas do tipo: "Casar? Espera passar a febre e fique solteiro. Casamento é um saco".

NOTA: Já pensou em se separar?

25. VOCÊ É GALINHA.

- Tem compulsão por cantar mulheres o tempo todo. Você gosta da sua, mas isso não significa muito. Como você se sente apaixonado e inseguro, precisa sempre ter seu ego escorado por conquistas simultâneas.

26. VOCÊ GOSTA DE MOSTRAR QUE É BOM BEBEDOR.

- Beber demais está em baixa, mas você adora contar que naquela noite "encheu a cara" e tomou oito uísques, sem se despentear. No dia seguinte nem passou mal. Na vida como ela é você realmente não passou mal no dia seguinte, passou mal na própria noite. Infernizou todo mundo ao redor, tornou-se inconveniente e acabou pagando a conta de toda a mesa porque fizeram-no de bobo.
- Em um bar, lança mão do entusiasmo juvenil para referir-se à bebida alcoólica. Diz para o garçom: "Quero aquela água que passarinho não bebe, rárárá". Ou: "Não bebo água, água enferruja". E o garçom, sorriso amarelo, pensa: "Tenho de conseguir um salário insalubridade. Este trabalho é desumano..."

27. VOCÊ GOSTA DE SER O REI AONDE CHEGA. POR ISSO, PAGA.

- Você distribui gorjetas a torto e a direito para sentir-se íntimo, poderoso e diferenciado. Já tentou até dar gorjeta no McDonald's. Sem êxito.

28. SEU SENSO DE HUMOR É PRECONCEITUOSO E PREVISÍVEL.

- Piadas denunciam a sofisticação intelectual do homem. Há piadas e piadas. Você escolhe as mais racistas, óbvias, sexistas e preconceituosas. Em uma roda, imagine-se finalizando suas anedotas e estourando em uma gargalhada:
"...o gorila eu encaro, mas o senhor leva minha sogra";
"... preto e pobre! O que você queria?";
"...e a mulher, toda vez que transava, dava um uivo...";
"...o senhor é judeu? Então por aqui";
"...aí a bicha falou: ele não escreve, não liga..."
- O único show que você paga para ver é daquele tipo de comediante que imita o Pelé, a Dercy Gonçalves, o Maluf, o Silvio Santos, a Maria Betânia, locutor esportivo etc.

29. VOCÊ USA BERMUDA COM SAPATO E MEIA.

30. OS CINCO ÚLTIMOS LIVROS QUE VOCÊ LEU SÃO DE AUTO-AJUDA.

O que prova que você é que realmente precisa de ajuda - mas não a sua própria.

31. VOCÊ CUMPRIMENTA OS AMIGOS NA RUA PARA TODO MUNDO ASSISTIR.

Faz aquele cumprimento de escoteiros, que toca cotovelo com cotovelo, dedão com dedão, dá duas voltinhas e um grito de guerra. Mas, como já está meio caído, esquece a seqüência no meio, perde o equilíbrio e se esborracha no chão arrastando o outro velhaco para a lama com você.

32. VOCÊ USA CAPANGA.

33. VOCÊ SEMPRE TEM UM TROCADILHO OU DITADO TRANSFORMADO EM PIADA PARA FAZER GRAÇA. ALGUNS DELES:

"Aí vareia...";
"Gente coisa é outra fina";
"A questã é...";
"É tudo a lesma lerda".

34. VOCÊ QUER SER O TIPO MODERNO, ATUALIZADO.

- Diz que adora cozinhar - e só sabe fazer picanha com sal grosso.
- Tem uma relação superaberta e de companheirismo com seu filho (de 1 ano).
- Não entende como tem gente que vive sem lnternet (você assinou porque o filho mais velho exigiu, e se sente profundamente angustiado toda vez que liga).
- Diz que tem carro importado por causa do air bag "Hoje em dia, fundamental." Mas só Deus sabe como você se esfalfou para trocar seu Monza 92 por um Citröen.

35. VOCÊ FALA ALTO QUANDO UMA MULHER RONDA.

- Em uma mesa de bar ou em uma roda de amigos você repentinamente começa a ter cacoetes, falar alto e ficar eufórico demais. Conta vantagens e ironiza os outros. Motivo: há mulher por perto e você quer se destacar entre os machos do recinto. Consegue, mas se a mulher não for boba vai achá-lo um destaque triste. Quando o surto é bravo, você vai além: elege um pobre coitado para usar de escada, martiriza-o e, assim, se faz de maior.

NOTA: O perigo é ela se apaixonar pelo martirizado, tão sensível e carente, tadinho.

37. VOCÊ DÁ INSTRUÇÕES MINUCIOSAS E CONFUSAS AO BARMAN, PARA MOSTRAR COMO VOCÊ É COSMOPOLITA.

- Veja você pedindo, por exemplo, um dry martini: "Ponha o gelo na taça, para esfriá-la. Retire. O gim deve ser tombado de uma só vez, três dedos, sobre a azeitona; de vermute branco, só uma gota, depois de tirar a azeitona e chacoalhar o gim sozinho. A seguir, mexa. Aliás, mudei de idéia, quero um carpano, em taça comprida, e com uma gota de...

38. EU ME AMO.

O assunto que você mais adora é um só: você mesmo.

- Em bate-papos com amigos você adora citar a si mesmo: "Como eu sempre digo..." E: "Na última palestra que fiz, abordei esse assunto com maestria..."
- Você se cita na terceira pessoa, como se fosse uma entidade. Exemplo: "Julio gosta de pizza de calabresa". Quem é Julio? Você.
- Você e Marco Polo estão ali em aventuras. Você narra seus feitos colocando sua pessoa sempre como o herói que se safou de ladrões em Marrocos, salvou uma linda portuguesa dos trilhos do bonde em Lisboa e conheceu uma prostituta em Nova York que realmente se apaixonou por você.
- No trabalho, no amor, no sexo, no esporte, enfim, sua atuação é extraordinária e você se vende como ninguém.

Você só não entende por que ninguém nunca compra.
Terça-feira, Setembro 03, 2002
NOVE BREVES HISTÓRIAS MÓRBIDAS

Tem gente que morre de cada maneira insólita! Me lembro de dois malucos que foram nadar numa caixa d'água imensa lá na Vila Mariana, que fazia a distribuição de água pro bairro todo. Estavam lá, nadando, quando a válvula automática se abriu e sugou os dois cano abaixo. Levaram um tempo até achar os corpos, perdidos no labirinto de tubos. De vez em quando achavam marcas dos dedos dos rapazes que, em desespero, tentavam inutilmente se agarrar às paredes lisas dos canos e não serem levados pela enxurrada de água. Morreram miseravelmente, afogados, no escuro, entalados em um tubo. Disgusting.

Mas não é preciso ser um retardado para morrer de forma ridícula: gente inteligente e famosa também bate as botas feito mané. Vejam esses nove exemplos:

MAMA CASS ELLIOT
Causa mortis: sanduíche de presunto
Nos anos 60, Mama Cass, do Mamas and the Papas, era presença obrigatória no hit parade mundial. Quando a banda acabou, ela iniciou carreira solo. Mas o Grande DJ do Universo decidiu convocá-la para uma turnê no além. No dia 29 de julho de 1974, Mama, com 125 quilos, foi encontrada morta com um sanduíche de presunto entalado na garganta. O laudo diz que ela sofreu ataque cardíaco depois de engasgar com o sanduba assassino.

JAYNE MANSFIELD
Causa mortis: trator
A atriz morreu quando seu carro chocou-se com um trator. Famosa pelo busto de 99 centímetros e o Q.I. de 163, ela atravessava uma zona rural em alta velocidade quando colidiu com o dito-cujo. Chegou-se a achar que havia sido decapitada. Mas fora apenas sua peruca loira que voara longe com o impacto.

BRANDON LEE
Causa mortis: revólver sujo
Desde que Bruce Lee morreu de hemorragia cerebral aos 32 anos, rola o boato de que os homens de sua família seriam vítimas de uma maldição. A morte de seu filho, Brandon Lee, aos 28 anos, dá o que pensar. Numa das cenas de O Corvo, um bandido com uma arma escondida num saquinho de papel atiraria no herói (Brandon). Só que, no cano da arma, havia o fragmento de uma bala de verdade, usada anteriormente. O estilhaço atravessou o saquinho, acertou Lee no abdômen e se alojou em sua espinha. Ele morreu cinco horas depois.

STIV BATORS
Causa mortis: travação
Quando foi atropelado por um carro em Paris, Stiv Bators - o ex-líder do Dead Boys - estava tão travado de drogas que nem se tocou. Levantou-se e voltou para o hotel. No mesmo dia, morreu sem sentir nada. Stiv tinha antecedentes. Em 1983, num show, teve a brilhante idéia de se enforcar com o fio do microfone. A platéia vibrou, mas um gaiato resolveu socorrê-lo quando ele já estava ficando azul.

KEITH RELF
Causa mortis: guitarra
Líder da banda Yardbirds - que teve Eric Clapton por certo período -, Keith bateu as botas em maio de 1976. Na época, estava formando um novo grupo, chamado Illusion, com sua irmã e o amigo Jim McCarty. Infelizmente, seu destino era tocar na megabanda que, cada vez mais recheada, se apresenta no Céu. Keith foi encontrado morto na sua casa, em Londres, ao lado do amplificador. Foi eletrocutado quando plugava a guitarra na tomada.

WILLIAM HOLDEN
Causa mortis: mesa
Ator premiado com o Oscar, Holden sempre foi chegado a uma boa dosagem alcoólica. Em 16 de outubro de 1981, com a carreira já em declínio, ele encheu tanto a cara na sua casa em Santa Monica, que tropeçou nas próprias pernas e arrebentou a cabeça na quina de uma mesinha de café. Embora ainda estivesse consciente, o ator estava tão bêbado que não percebeu a gravidade do acidente, morrendo horas mais tarde.

NATALIE WOOD
Causa mortis: meias
Inesquecível no drama "Juventude Transviada", Natalie Wood morreu afogada ao lado do seu iate, em novembro de 1981. Foi um negócio tão triste quanto bobo. Ela, o marido Robert Wagner e o amigo Christopher Walken passavam momentos agradáveis no barco, bebendo champanha. Como a noite estava fria e Natalie quisesse chegar à praia num bote, encheu-se de jaquetas e meias. Estas últimas, porém, fizeram com que escorregasse no deck e caísse na água. Pesadas após encharcarem, suas roupas arrastaram-na para o fundo. Ninguém ouviu seus gritos. Ainda tomavam champanhe.

ISADORA DUNCAN
Causa mortis: echarpe
A bailarina Isadora Duncan, festejada estrela da dança no começo do século, morreu em 1927, aos 49 anos. Quando passava férias no sul da França, um amigo a convidou para um passeio numa Bugatti conversível. O dia estava perfeito. Mas sua roupa, não. Isadora usava uma longa echarpe que, algumas curvas depois, prendeu-se nos aros da roda do carro, quebrando seu pescoço violentamente.

LUPE VELEZ
Causa mortis: fajitas
A starlet hollywoodiana Lupe Velez suicidou-se em 1944, mas sua morte não seguiu o roteiro que ela cuidadosamente escrevera. Mexicana, 36 anos, Lupe sabia que sua carreira estava declinando. Já não conseguia bons papéis e sua beleza, gradativamente, se esvaia. Que fez? Encheu o quarto de flores e velas, tomou 75 comprimidos de sonífero e deitou-se à espera de que as luzes suavemente se apagassem. Só que ela havia comido fajitas em sua última ceia e os comprimidos não reagiram bem com a pesada comida mexicana. Uma tremenda indigestão acometeu-a enquanto aguardava a chegada da morte. A atriz vomitou no quarto inteiro e foi encontrada caída no banheiro. Com a cabeça enfiada na privada.