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PILEQUE
Fico impressionado com a quantidade de gente que não sabe beber. Saber beber, de fato, é uma arte e exige alguma teoria antes de entornar aquela Canjibrina braba - do contrário, está-se sujeito a pagação de mico generalizada, cadeia ou - muito pior -, aparecer no Programa do Ratinho para fazer exame de DNA.
Como é meu Dever perante DEUS trazer algum lume às mentes entrevadas, apresento aqui a Fabulosa Escala Levedo de Potencial Destrutivo Etílico, para que vocês não saiam por aí fazendo besteira.
Nível 1: Cerveja. Tem pouco álcool e é fácil de controlar. Claro, sempre tem alguém que é desacostumado a um copo e fica troncho com dois goles de cerva. Juro por São Jorge, se eu fosse assim já estaria milionário. Mas para a média do populacho, é preciso beber bastante para tornar-se um quadrúpede(1), portanto a cerveja é relativamente inofensiva, desde que o sujeito não liquide com uma caixa inteira de Sapporo sozinho.
Nível 2: Vinho. Como as mulheres, existem vinhos que enganam. Chegam de mansinho, são agradáveis, cheiram bem, tem gosto bom mas, meu amigo, no outro dia pode haver surpresas desagradáveis. Creiam, crianças, poucas coisas são tão terríveis na vida do que uma ressaca de vinho. Padre Onofre, meu colega de Santo Ofício, resumiu muito bem a sensação: dá um desgosto de estar vivo. Porém o vinho também é fácil de controlar, e não deixa tanto bafo quanto a cerveja.
Nível 3: Saquê. Bebida traiçoeira, feito um Ronin(2). Posso dizer, sem Jaça na Consciência, que já pude aplicar meu Cajado em muita gente graças a este vinho de arroz. Se for de boa qualidade, é tão suave que não se percebe a quantidade de álcool que contém. Quando você vê, BANZAI! Existem alguns energúmenos que fazem caipirinha com saquê, o que acho uma estupidez sem tamanho - a bebida é saborosa por si só, não precisa de aditivos.
Nível 4: Cerveja acompanhada de Destilados. É uma espécie de cursinho pré-vestibular antes de partir para coisas mais fortes. O destilado pode ser pinga, vodka, steinhager ou gin. Tem gente que mistura a cerveja e o destilado no mesmo copo, o que julgo ser uma heresia - inclusive encomendarei a Alma destes infiéis à Boca do Lúcifer Maior. O correto, segundo o Concílio de Trento, é dar uma bicada no destilado e depois tomar um gole da breja. Dá para ficar numa boa com apenas duas cervejas e duas doses de vodka, o que, convenhamos, é uma pechincha.
Nível 5: Uísque. Para os que estão adentrando no Maravilhoso Mundo dos Destilados, é aconselhável sempre diluir o uísque em água gelada e botar bastante gelo. Principalmente se o uísque for uma querosene daquelas brabas, tipo Oldêiti, Drury's, Teacher's e outros sucedâneos de Pinho Sol. Já se for uísque dos bons, beba puro pois é pecado estragar com água ou gelo obras de arte da Fina Arte da Destilaria. O uísque exige mais controle por parte do usuário, pois já vi muita gente fazendo revelações estarrecedoras depois de uns tragos, mas não posso dar mais detalhes pois isso é Segredo de Confissão.
Nivel 6: Gin. Diziam os Peçonhentos Tablóides Londrinos que o Sorriso Perpétuo da Rainha-Mãe era decorrente do fato de que ela enxugava um litro de gin por dia. E vejam bem, a Matrona viveu até os Cento e Um Anos. Claro que se você quiser viver muito, não deve tentar fazer isso, a não ser que você seja a Rainha da Inglaterra. O gin é forte pacas e normalmente não é bebido puro, mas combinado com outras coisas, como no caso do Gin-Tônica e o Gin-Fizz. Curiosamente, essa bebida surgiu como remédio tonificante. Depois que o farmacêutico que a inventou percebeu que aquele monte de marmanjos que ia comprar Gin fazia uso recreativo do seu "tônico", passou a fabricá-lo em quantidade e a vendê-lo pros pubs. Isso é que é tino comercial!
Nível 7: Smurf. Esse é um drinque de minha autoria e conta com minha Bênção. Em primeiro lugar, passe na farmácia e pegue três vidrinhos de água de melissa. A título de curiosidade, veja a composição da água de melissa (vidro de 50 ml):
- Essências (erva cidreira, cravo da índia, jaçapé, limão, noz-moscada, coentro, canela): muito pouco
- Álcool: 37, 5 ml
- Água: o suficiente para 50 ml
Se você consegue fazer contas de dividir, já percebeu que 75% da inocente água de melissa é puro álcool potável - aí é que está a diversão. Passe no supermercado e compre uma garrafa de Curaçao Blue e um maço de hortelã. Chegando em casa, amasse umas folhas de hortelã com açúcar. Pegue uma coqueteleira, coloque a pasta de hortelã amassada, uma dose de Curaçao, a água de melissa e uma dose de água gelada. Chacoalhe bem. Pegue um copo alto cheio de gelo e, usando um coador, despeje nele o drinque. Espere o gelo derreter um pouco e então mexa com uma colher comprida. O resultado final é um creme azul gelado com álcool suficiente para descontrair até o mais carrancudo Pastor Luterano.
Nível 8: O Quinto Cavaleiro do Apocalipse. Bem, se você conseguiu chegar a este nível vivo, é sinal que está à procura de encrenca. Tudo bem, não vou decepcioná-lo. Pegue meio tablete de manteiga sem sal. Derreta em uma panela em fogo bem baixo. Quando a manteiga estiver liquefeita, apague o fogo. Vá mexendo com uma colher de pau enquanto despeja devagar um litro de rum. Misture bem e então beba. Você não vai sentir nada, pois a gordura da manteiga retarda a absorção do álcool. Vá bebendo. Beba tudo. Você ainda não sentiu nada. Espere só um pouquinho. Só um pouquinho.
(1) Tem gente que não precisa beber nada.
(2) Samurai sem Senhor. Depois do final do shogunato, no Japão, esse pessoal ficava ao léu, andando pra lá e pra cá, alugando seus serviços para quem quisesse, por exemplo, capar o folgado que engravidou sua caçula.
ERAM OS DEUSES BART SIMPSON?TIJUANA, 15 (REUTERS) - Uma expedição arqueológica acaba de revelar que desenterraram uma estátua Pré-Colombiana do Deus Xiehtecutlitzcatlpoca, que em Azteca significa: "Aquele Moleque Pentelho da Casa ao Lado".
O ídolo apresenta-se com um meio-sorriso irônico, como se houvesse recém praticado alguma vilania, e segura duas grandes salsichas como que exigindo alguma mostarda para aplacar sua ira. É impossível negar que trata-se de Bart Simpson, em alguma vida passada.
O Professor Ryoko Sugawara, que participa da expedição representando a Universidade de Osaka, declarou que este é um indício de que "Os Simpsons" talvez seja, ao invés de inocente desenho animado, uma espécie de Missa Negra que cultua Deuses Pagãos, utilizando mensagens subliminares.
No Brasil, o Bispo Pedir Maiscedo se pronunciou exaltadamente, declarando que tudo é coisa do capeta e, em off, passou a sacolinha entre os repórteres.
INGLESES
Tem muita gente que odeia os Ingleses. Os Franceses, por exemplo, que cansaram de levar paulada dos Súbditos do Império onde o Sol Nunca se Põe. Isso sem falar no pessoal que viveu ou vive sob o jugo destes colonizadores implacáveis.
Nós, Brasileiros, enchemos as burras Britânicas indiretamente, via Portugal, que muito estupidamente se endividou com a Inglaterra e cujo ouro que extraiu do Brasil foi para pagar a dívida e permitir que a Realeza Britânica pudesse tomar seu chá das cinco com tranqüilidade.
Graças a Deus, hoje em dia nosso querido Florão da América não sofre mais nas mãos de exploradores malvados, não é mesmo?
Analisando a Inglaterra pelos seus frutos - "pelos seus frutos conhecerás a árvore", disse Jesus -, chegamos à conclusão de que se trata de um país assaz peculiar, cujas contribuições à Humanidade são notáveis. Claro que, por exemplo, na Culinária, não nos vem à cabeça nenhum prato típico Inglês, a não ser que se considere Torta de Rim e "Pudding" como comida(1).
A culinária Inglesa, aliás, é esculachada pelos próprios Ingleses. Uma vez ouvi de uma garota de Londres que a melhor coisa sobre uma mesa Inglesa é a porcelana. Se você assistiu o filme "Nunca te vi, sempre te amei", que conta a história da amizade entre uma Americana bibliófila e um circunspecto cidadão Inglês proprietário de uma livraria que aceitava encomendas além-mar, você deve se lembrar de uma cena recorrente. O sujeito chegava da livraria após o expediente, para jantar e descansar um pouco o exoesqueleto. Invariavelmente a mulher servia uma comida tão evidentemente sem-graça que ela ficava até envergonhada - esta atriz é muito boa e conseguia passar uma expressão de infinito constrangimento apenas com o olhar. Ela esperava que Sir Anthony Hopkins, que fazia o papel de livreiro, provasse aquela coisa insossa. Então Hopkins, sem alterar a expressão do rosto, SEMPRE dizia: saboroso, muito saboroso. Eu creio que, de todas as cenas que já vi em filmes, essa é uma das mais pungentes: o homem está mentindo - é ÓBVIO que ele está mentindo -; a mulher SABE que ele está mentindo; ele sabe que a mulher sabe que ele está mentindo mas diz aquilo porque ama a sua mulher - e também sabe que ela sabe que ele a ama. Crianças, a maior prova de amor é mentir para a esposa, namorada ou concubina(2) dizendo que aquele miojo de galinha caipira que ela fez no domingo de noite está "saboroso, muito saboroso".
Eu considero que a Inglaterra é memorável por duas coisas, apenas: os Artistas Ingleses e Elizabeth Hurley(3).
De músicos Ingleses podemos citar, brevemente, alguns nomes. Tony Iommi, Allan Holdsworth(4), Robert Fripp, John McLaughlin, Jeff Beck e Bill Bruford. Gente legal e que sabe tocar um pouco. De literatos, se só levássemos em conta Anthony Burgess, já estaria de bom tamanho. Mas temos também John Donne, William Blake, e o Bardo de Stratford-upon-Avon. De cineastas, vamos de Kubrick e Greenaway - sei, eles são bastante irregulares, mas dá pra perdoar. E antes que algum desocupado venha me lembrar que Kubrick é Novaiorquino, tenho a dizer que ele se tornou Inglês por opção, cazzo!
O Humor Inglês sempre me pareceu insuperável. Pensemos em Monty Python, Peter Sellers e Charles Chaplin(5). Pensemos na saudosa revista "punch" e nos tablóides sensacionalistas de Londres. Mas, como os Brasileiros também são bons de "humour", vamos apresentar uma microscópica antologia de duas piadas com o típico humor inglês.
VIOLENTA DISCUSSÃO - Dois Ingleses Debateram Calorosamente em Plena Via Pública
LONDRES, 30 (DESUNITED PRESS) - Dois Subditos de Sua Majestade passeavam, calados, fumando cachimbo pela beira do Rio Thames. Depois de muito andar, disse o primeiro ao segundo:
- Viste, John, que lindo "Rolls Royce" passou por ali?
Meia hora depois o segundo Inglês, com a pipa no canto da boca, respondeu ao primeiro:
- Foi um "Studebaker".
O passeio continuou no mais absoluto silêncio. Duas horas depois, mister Peter, o primeiro Inglês, de sobrecenho cerrado, replicou:
- Mim voltar para casa, porque non quer discussion.
INICIATIVA PRIVADA
Quando caiu o avião, no Pacífico Sul, sobreviveram um Americano, um Alemão, um Francês e um Inglês, que nadaram até uma ilha isolada, habitada por nativos ignorantes.
Depois de um ano:
- O Americano tinha montado uma fábrica de beneficiamento de palmito;
- O Alemão tinha formado um pequeno exército e, claro, ocupava o posto de General;
- O Francês tinha aberto um puteiro;
- O Inglês continuava na praia, esperando que alguém o apresentasse aos nativos.
FOOT NOTES
(1) Pudding não é "pudim", mané. Apesar de existirem "puddings" doces, é tradicionalmente um prato salgado - feito algumas vezes de sangue de porco temperado.
(2) O regime de Concubinato já superou as Uniões Legais, pois o Mundo deu as Costas a Cristo e está Imerso em Pecado. Esperem o Juízo Final e vocês verão o que vai acontecer com as Putas e os Fornicadores.
(3) Não posso deixar passar essa oportunidade de louvar aquela bunda magnífica que a Elizabeth tem. Será que o panaca do Hugh Grant deu uma bicada naquele latifúndio dorsal? Bem, para ser tão idiota a ponto de pegar uma puta feiosa na rua e ser flagrado - um corolário de idiotia - com a botija na boca (dela), por assim dizer, tendo aquele monumento de mulher à disposição, o sujeito não pode ser muito esperto mesmo. É o exemplo clássico da Teoria da Empadinha, postulada pelo meu colaborador Toninho Vagareza, e que tentarei condensar em breves linhas. O cara pega o carro e se dirige a um banquete. No caminho, para num boteco a fim de tomar uma abrideira. Ele bebe a pinga e percebe uma empadinha exposta no balcão envidraçado. À sua espera, encontra-se um magnífico banquete, com Ostras à Mornay e Ovas de Cachalote. Mas a empadinha está ali, na sua despretensiosa simplicidade, usando à guisa de coroa uma metade de azeitona enrugada. Cria-se um conflito psicológico: o cara sabe que tem um banquete à sua espera, mas não consegue tirar o olho da empadinha. Resultado: ele come, num gesto insensato, a empadinha; passa mal, chega ao banquete e bebe apenas uma água mineral, saindo à Francesa depois de meia hora.
(4) Como todos sabem, Mr Holdsworth emprestou seu nome a meu cachorro, que apesar de ser Alemão (Schnauzer) recebeu educação Britânica, se comportando sempre como um Lorde Inglês em todas as ocasiões. Inclusive ele não faz "au-au", ele faz "woof! woof!"
(5) Tá, eu sei, Chaplin se fez na América, mas era Inglês. Hendrix era Americano e se fez na Inglaterra. É como já dizia meu Grande Amigo Jotacê: um Profeta não faz muito sucesso em sua Terra Natal.
CADERNO B - DANÇA DO POCOTÓ
Tô mandando um beijinho
prá filhinha e prá vovó
só não posso esquecer
minha egüinha pocotó
pocotó pocotó pocotó pocotó, minha egüinha pocotó
pocotó pocotó pocotó pocotó, minha egüinha pocotó
o jumento e o cavalinho
eles nunca andam só
quando sai prá passear
levam a égua pocotó
pocotó pocotó pocotó pocotó, minha egüinha pocotó
pocotó pocotó pocotó pocotó, minha egüinha pocotó
DICA
Finalmente um mecanismo de busca com a nossa cara.
RAGOUT
Durante o Cerco de Paris, em 1870, quando a população da Capital Francesa esgotara os depósitos de víveres, os cães, os gatos, os pássaros que estavam nas gaiolas e outros bichos de estimação foram inexoravelmente para a panela.
Nesta ocasião, tornou-se famoso um cozinheiro que preparava os ratos com um tempero especial, que lhes dava um gosto de carneiro. O Espírito Parisiense batizou imediatamente este prato com o pomposo nome de "rat-goût-de-mouton", ou seja, "rato-com-gosto-de-carneiro".
Aquela carne picada ficou célebre e, cessada a guerra, passou a fazer parte dos cardápios internacionais, mas com uma pequena modificação ortográfica e uma mudança radical da matéria prima. Assim, o "rat-goût de mouton" passou a chamar-se simplesmente "ragoût", que poderia ser, conforme as circunstâncias, de carneiro, de vitela ou de qualquer outro animal comestível.
O "ragoût-de-mouton", no Brasil, manteve a receita original. Esses dias, passando por uma rua paralela a um viaduto, pude ver um sujeito sorridente segurando dois grandes ratos mortos pelo rabo. Parei num boteco em frente e fiquei observando o que o cidadão iria fazer com aquilo. Ele foi para baixo do viaduto, pegou os bichos, cortou as cabeças, as patas e os rabos, tirou a pele e as vísceras, salgou, puxou umas batatas podres de uma latinha e fez seu picadinho com água da sarjeta.
Contive meu impulso de ir até lá e parabenizá-lo por manter essa Secular Tradição da Culinária Francesa.
Mas - parafraseando Regina Duarte - eu tenho medo. Agora que, devido a um lamentável cochilo de Deus - tentei acordá-lo mas minhas ligações sempre caíam na secretária eletrônica -, os Malditos Comunistas chegaram ao Poder, é possível que acabem com essas Belas e Espontâneas Manifestações Multiculturais do Nosso Povo, cevando-os com arroz, feijão e carne de boi, comida sem nenhum charme nem pedigree como o ragout. Holy shit!