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ANTICOLINÉRGICOS MP3
Topei esses dias com um site que relatava a experiência de um sujeito que tomou 50 comprimidos de Artane[1] de uma só vez com vinho tinto. Como vocês estão lembrados, publiquei esses meses a Fabulosa Escala Etílica Levedo, que ia de 1 a 8 em ordem crescente de, digamos, efeito sísmico nos neurônios do consumidor. Um coquetel de 100 mg de anticolinérgicos (categoria de drogas na qual se encaixa o Artane) com qualquer bebida supera com folga o nível 8 da Escala ("O Quinto Cavaleiro do Apocalipse") e poderia, sem dúvida, chegar a algum nível de dois dígitos - algo como 43, "Experiências Fora do Corpo".
Conheci uma menina que misturou potencializadores de álcool com bebida. No caso dela, foi uma dose cavalar de benzodiazepínicos com muito, mas muito uísque. Depois do hospital e do tratamento de desintoxicação, não sobrou muita coisa do que ela era antes, intelectualmente falando[2].
Como é meu dever mantê-los longe destas práticas deletérias para que possamos continuar lendo e entendendo obras-primas da Literatura Contemporânea, como as colunas do Diogo Mainardi na revista Veja, as obras do Grande Filósofo Olavo de Carvalho e os livros da Shirley McLaine, aqui vai uma lista de músicas daunloudáveis em qualquer e-mule ou Kazaa da vida e que, talvez, sejam sucedâneos de napalms sinápticos sem os efeitos colaterais indesejáveis - ok, talvez haja alguma descompensação no Sistema Nervoso Parassimpático do ouvinte, mas isso passa.
- "THRAK", King Crimson, do álbum "THRAKATTACK". Quem fizer trocadilhos de péssimo gosto com o nome da música estará automaticamente excomungado.
- "SPAK", James Blackthorne. Eu mesmo não encontrei essa porra na Internet, só tenho numa fita cassete e estou com uma preguiça dos diabos pra converter para o formato digital. Interessados: enviem cheques para a Paróquia e eu me darei o trabalho de enviar o MP3[3].
- "Mars", John Coltrane, do álbum "Interstellar Space". Ótima trilha sonora para batizados, casamentos, folguedos infantis, etc.
- "Ife", Miles Davis, do álbum "On The Corner". Demora um pouco até você perceber o truque, mas persista. Cuidado, porém: esta causa dependência.
[1] Ele não diz se foi o de 2 ou o de 5 mg; deve ter sido o de 2 mg - mas não descarto a outra possibilidade.
[2] Podem me chamar de maledicente, mas "antes" já não havia muita coisa.
[3] Na verdade essa música veio numa "soundpage" da revista Guitar Player lá por 1986 e eu passei pra fita, pois as "soundpages" eram finas lâminas de vinil que podiam ser escutadas num toca-discos até umas três vezes. Depois, devido à fragilidade do material, a qualidade do som ficava uma merda. O negócio era passar pra fita cassete. Não soube mais do que aconteceu com o Blackthorne, mas me lembro que na foto da revista ele parecia muito com o Agnaldo Rayol, de terno e tudo - um contraste brutal entre a cara de garçom de bufê do guitarrista e a música que ele tocava.