Padre Levedo
Quarta-feira, Março 31, 2004
O PIAUÍ É A ESCÓCIA DO BRASIL

Minha querida titia, por ocasião do meu aniversário de dez anos, presenteou-me com um belo álbum contendo as melhores histórias do Tio Patinhas. Era uma edição comemorativa, creio, dos vinte anos do surgimento do Pato Muquirana aqui em Pindorama. Um volume de capa dura, vistoso, cosa muy linda. Fiquei hipnotizado com aqueles quadrinhos em formato A4, pois só conhecia até então os gibis.

Uma das histórias - eram sete, se não me engano - leva Patinhas e agregados para a Escócia, onde são recebidos num castelo enevoado por um simpático velhinho de saia que lhes serve haggis. Huguinho pergunta pro velho: do que é feito isso? E o velho responde: Ah, um bocadinho disso, um bocadinho daquilo... e é uma delícia! (chlep!)

Na ocasião não compreendi o porquê do pudor de Disney em revelar o que era exatamente o haggis. Está bem, quadrinhos não são livros de receita, mas esse mistério gastronômico perdurou alguns instantes na minha mente de molecote e depois foi sepultado no subconsciente.

Até que...

Sábado passado estava assistindo ao Pica-pau. Não ao Pica-pau clássico, aquele dadaísta de perna grossa e dois inesperados dentões no bico[1], mas uma versão menos anárquica - e mais chata - do pássaro psicopata. Num determinado ponto da trama, o bichinho, que encarna um escocês piloto de rally, se vê frente a uma placa onde lê-se: "FREE HAGGIS". Claro que a placa era falsa, plantada solertemente pelo urubu safado que é o tradicional desafeto do Pica-pau.

Este fato, que poderia muito bem passar despercebido por uma mente menos atenta, provocou-me um curto-circuito sináptico e trouxe à tona do oceano dos meus pensamentos aquela dúvida adormecida: QUE DIABOS É HAGGIS?

Interrogando São Google, finalmente soube o que é isso, e não me privarei de compartilhar esta importantíssima, quiçá vital, informação com o meu Rebanho.

RECEITA TRADICIONAL DE HAGGIS

Para doze pessoas

- 1 estômago de ovelha
- 1 pulmão de ovelha
- 1 coração de ovelha
- 1 fígado de ovelha
- meio quilo de graxa de rim de ovelha
- 1 quilo de farinha grossa de aveia (não a Quaker, mané, farinha de aveia escocesa!)
- 2 cebolas
- pimenta-do-reino branca e preta moída na hora
- noz-moscada
- sal

Vire do avesso o estômago de ovelha, lave bem, esfregue sal, lave de novo, raspe com uma faca e deixe de molho na água com sal de um dia para o outro. Num panelão, coloque o coração, o fígado e o pulmão para cozer. Coloque a traquéia para fora da panela, pois o pulmão vai expelir algumas impurezas. É bom colocar um recipiente para recolher o que vai sair dele. Cozinhe por uma hora e meia. Retire as vísceras e pique tudo bem picadinho com a cebola. Numa frigideira, doure a aveia até ficar levemente marrom. Misture todos os ingredientes, acrescentando o caldo do cozimento das vísceras até que a massa adquira uma consistência firme. Estufe o estômago da ovelha com essa massa até dois terços do seu volume. Aperte para que não sobre ar lá dentro. Amarre com um barbante grosso as pontas do estômago e fure-o em alguns pontos com uma agulha grossa, pois a aveia vai inchar quando absorver o líquido e o estômago pode estourar. No panelão, coloque um prato no fundo e ponha o haggis para cozinhar na água por umas quatro horas. Aí é só servir, tradicionalmente acompanhado de "tatties" (batatas) e "neeps" (nabos) amassados. Bon apetit!

Agora, me digam: isso daí, com pouquíssimas modificações, é ou não é uma buchada de bode?

[1] como já disse um aluno de biologia numa prova: "os pássaros tem só um dente na boca, que se chama bico"
Quarta-feira, Março 24, 2004
PLATITUDES

Quem se esforça muito, mas muito mesmo, para ser benquisto por todos, acaba como o marido da minha primeira amante.

- Ambrose Bierce, psicografado por Jece Valadão
Quarta-feira, Março 17, 2004
AS MÚLTIPLAS EXISTÊNCIAS DE MR. WATERS

Um pouco antes do período Pré-Cambriano, quando não existia Internet e o Espírito movia-se sobre as águas, eu era um Pastor Itinerante. Minha Sagrada Missão de levar a Palavra de DEUS aos Caboclos Entrevados precisava ser exercida da maneira mais tosca imaginável, que era se deslocando fisicamente até os Grandes Sertões e as Veredas para poder Pregar para a Patuléia Ignara.

Apesar de ser um ofício agradável aos olhos do Onissapiente, confesso que muitas vezes este Sacerdote que vos fala se sentia très fatigué.

Numa dessas ocasiões, em Paulínia, após explicar o Dogma da Transubstanciação para um grupo de bóias-frias, uma colhedora de café me convidou a ir com ela mais sua prima até o Festival do Irmão Caminhoneiro que ia rolar mais tarde. Belê, pensei, finalmente um pouco de diversão na vida de um Pastor exausto.

Chegamos no local da festa. Depois de tomar umas canjibrinas e dar uns amassos na caboclinha atrás da barraca de pamonha, peguei uma garrafa de Velho Barreiro - a segunda - e fui assistir ao show do estupendo Falcão. Naquela noite ele apresentou seu clássico cover de "Another Brick in the Wall", só que com a letra de "Atirei o Pau no Gato". Antes do número, ele declarou que tinha sido impedido judicialmente de apresentá-lo por ordem de "um corno lá da Inglaterra chamado Roger Waters", mas que ia tocar assim mesmo. É por atitudes dessas, e por usar ternos feitos de toalha de mesa com motivos natalinos, que eu tiro o chapéu pro Falcão.

Pois a lembrança daquela agradável noite levou-me, esses dias, a meditar brevemente sobre o PinquiFlóidi. Cheguei à conclusão que, definitivamente, eu já gostei bem mais da música deles do que hoje, e que não posso discordar totalmente da opinião do Falcão sobre Roger Waters, que, segundo a Lenda, foi quem implodiu o grupo com seu ego superlativo.

E não é que encontrei Mr. Roger Waters fazendo um bico como coadjuvante na excelente tirinha do RED MEAT, como escada para o filho de Ted Johnson?

Vejam que não só a inegável semelhança física, mas também o discurso grandiloqüente são a prova definitiva que Mr. Waters aufere uma renda extra como Ícone Ufológico.

Quinta-feira, Março 11, 2004
COISAS QUE NÃO COMPREENDO

- Como as pessoas mantém um blogue sem cópia integral no próprio computador? E sem becápe?
- Como as pessoas perdem posts?
- Como alguém que mantém um blogue pode não saber o que é FTP e depois ficar se queixando?
- Se o blogger daqui é uma merda, qual o problema em usar o blogger americano? Essa eu realmente não sei - sempre usei o americano. Nunca tive problema algum.
- Como, de repente, vemos tanta gente - mas tanta gente MESMO - usando computador sem ter noção de como fazer isso corretamente? Houve tempos em que manés SEQUER chegavam PERTO de um computador.
- O que leva alguém que sabe usar o Google pensar que é a Quinta Encarnação do Pau de Buda em termos de Informática?
- Por que DEUS apostou em nós e não nas abelhas? (lembrete mental: ligar para DEUS hoje de noite e perguntar para Ele)
Segunda-feira, Março 08, 2004
GRANDE GATO FEDORENTO

UMA CONVERSA ENTRE AMIGOS

- A minha namorada vai fazer uma tatuagem.
- Ah, sim? Onde?
- Nas costas.
- Isso é giro[1]. E que tatuagem é?
- É um coração com umas flores.
- Boa. Por acaso também gostava que a minha namorada fizesse uma tatuagem nas costas. Isso ia melhorar imenso a nossa vida sexual.
- Achas?
- Sim, sim. Tinha era de ser daquelas tatuagens que saem.
- Porquê? Essas não duram nada.
- Pois, mas assim dava para fazer uma nova todos os dias.
- Todos os dias? E o que é que ela tatuava?
- A primeira página d’ A Bola.

[1] "giro", neste contexto, significa algo como "sensacional". Sei que essa explicação é necessária para as pessoas que não são lusoparlantes.
Domingo, Março 07, 2004
O ETERNO RONDÓ DO CSS

É, neguinho põe banner no Confessionário. Aí Levedo vai e tira o banner. E ainda excomunga o - cof, cof! - "WebMaster". Vamos ver quem rirá (rirá, disse-o bem?) por último.
Quinta-feira, Março 04, 2004
MR. LIVINGSTONE, I PRESUME

Curioso, mas o post sobre o Bórgia, que me deu uma trabalheira para escrever, rendeu menos comentários do que o sobre Olavo de Carvalho, de apenas duas frases. Vou ser mais conciso a partir de hoje.