Padre Levedo
Sexta-feira, Abril 16, 2004
EU OUÇO GENTE MORTA ... O TEMPO TODO

A anedota mais engraçada que eu conheço sobre o Baden Powell é aquela em que ele voltou da oficina do luthier depois de uns reparos no violão e parou pra tomar um refrigerante num bar. Aí neguinho reconheceu ele e ficou naquela: "Aí, Baden, toca um troço prá nós".

Aí ele puxou a viola e tocou mais ou menos uma hora.

Quando ia saindo, depois daquela canja histórica, ao entrar no táxi, foi puxado pelo braço pelo português dono do bar, que cobrou: "Seu Páuel, é um reáu a guaraná".

Stephane Grappelli eu já vi tocando. É um sujeito no qual eu notei aquele abandono que se pode observar em Hendrix e também em Monk.

No princípio da sua carreira, Grappelli tocou com Reinhart.

Percebam que não estamos exatamente falando de amadores.
Domingo, Abril 04, 2004
RABBI IACOV E O GOY

Na cabine do trem, viajavam o Rabbi Iacov e um goy - que é o termo usado pelos judeus para denominar, um tanto pejorativamente, quem é não-judeu. Sentaram-se frente a frente nos bancos da cabine e o goy começou a ler um jornal. Lá pelas tantas, Iacov perguntou: "Caro senhor, por acaso posso ler a seção de esportes?" O goy respondeu: "Mas claro, sinta-se à vontade", estendendo para o Rabbi o jornal. Mais tarde, um pouco antes dos dois se encaminharem ao vagão-restaurante onde seria servido o jantar, Iacov perguntou se o goy poderia emprestar-lhe um terno, pois viajava com pouca bagagem e não tinha trajes adequados para o jantar. "Com certeza", disse o goy, e emprestou ao Rabbi um belo terno. Depois do jantar, já de volta à cabine, os dois puxam os cachimbos e se preparam para fumar quando Iacov diz: "Cáspite, minha bolsa de fumo está vazia. O amigo por acaso tem algum tabaco?" - no que o outro prontamente lhe oferece um excelente fumo inglês.

Passada a noite, pela manhã os dois se saúdam ao despertar. O goy vai o banheiro escovar os dentes, e, ao voltar, o Rabbi lhe interroga: "Amigo, por acaso poderia me emprestar sua escova de dentes? Acontece que esqueci de trazer a minha!" O outro responde: "Meu caro, a escova de dentes é um utensílio de higiene íntima, extremamente pessoal e que não pode ser compartilhado. Sinto muito, mas não empresto não". O Rabbi escutou aquilo e permaneceu em silêncio pelo resto da viagem.

Já na estação, sendo recebido pela família, lhe perguntam como foi a viagem. "Foi horrível!", diz ele, "Tive que dividir a cabine com um Anti-Semita de merda!"