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O QUE HÁ EM UMA DATA?
Indo na carona do Grande Uíliam Chico Espirro, pergunto: o que há em uma Data? Se fosse em qualquer outro dia, seria o mesmo Tédio. Mas, como as Regras da Civilidade têm como fundamento o Exercício da Tolerância para com as Superstições e Costumes Alheios, deixo registrada aqui a Bênção Especial de Ano Novo para os Peregrinos Digitais que buscam Refrigério e Sabedoria neste Confessionário Maldito.
PENSAMENTO DO DIA*
O Trabalho Duro compensa, depois de algum tempo. A Preguiça compensa imediatamente.
* Extraído do site www.despair.com
O NATAL DE MAQUIAVEL
Se fôssemos gente sensata, se realmente fizéssemos jus ao Epíteto de "Ápice da Criação", se pudéssemos ao menos uma vez usar o intelecto para Cousas mais Elevadas do que pensar num modo de comer a Vizinha Gostosona sem ser descoberto, uma coisa que deveria ser repensada é o Natal. Percebam, crianças, que o Natal é justamente o inverso do que ensina Maquiavel, no famoso bordão "O Bem se faz aos poucos; o Mal, de uma vez só". Se se levar isto a sério, o Natal deveria ser invertido no seu sentido precípuo, comezinho: transformar-se-ia em uma festa de celebração do ódio entre as pessoas. Sim, ouviram bem. Ódio entre as pessoas.
Nesta data especial, as pessoas colocariam para fora todas as antipatias, rancores, maledicências que têm contra os outros. Posso imaginar algumas cenas em família, que providencialmente estaria reunida em torno de uma pizza de microondas - porque a mamma se recusa a suar como uma porca na frente do fogão preparando uma refeição especial para seus filhos ingratos. Como fundo musical, "too drunk to fuck", tocado por imposição do filho mais velho, que ameaça cobrir de porrada quem se aproximar do som. A caçula olha para a pizza e comenta: "puta que pariu, tem cebola!". Ao que o pai, já bem bêbado, retruca: "eu trabalho feito um idiota para você, sua vagabundinha, reclamar da comida que EU comprei com o MEU dinheiro, caralho!". Claro que a festa acaba com pancadaria e todos vão parar no hospital.
Aí, depois de curadas as fraturas, o Manto da Paz se estenderia sobre todos, já que todo o ódio foi esgotado no certame. Pela frente, um ano inteirinho de compreensão, de tolerância, de gentilezas e o mais Puro Amor Cristão. Pessoas se cumprimentariam nas ruas, sorridentes, desejando ao próximo que Deus lhe desse um bom dia e um bom ano. Adolescentes ajudariam velhinhas a atravessar ruas, mendigos receberiam roupas e comida doadas espontaneamente, guardas de trânsito seriam gentis e compreensivos com todos, políticos roubariam menos (cof! cof!).
Claro que tudo isto segue a Lógica, que é a Aptidão Humana menos exercitada. Em verdade, crianças, eu lhes digo que o Natal de Maquiavel jamais será possível, e por um motivo bem simples. O ódio tem um prazo de validade bem maior que o amor. O amor é curtinho, dura um quase-nada, enquanto que o ódio pode viver dentro de uma pessoa durante toda a sua vida. É por isso que se comemora a Fraternidade entre os Povos apenas em um dia no ano. Mais do que isso é impossível para o Ser Humano. E alcança meu tacape, fasfavor.
MATEMÁTICA
Na Sociedade Moderna, nós somos apenas números. E, curiosamente, todos os filhos do meu tio são Números Primos.
G3 - O SHOW E AS JUJUBAS
- Apagaram-se as luzes e começou a maresia. Certas coisas nunca mudam mesmo.
- Ei, cadê o Fripp? O corno estava sentado no canto do palco, sozinho e praticamente invisível. E que merda era aquela que ele estava tocando? Um troço meloso e interminável!
- Começaram as vaias: "Levanta, aleijado!", "Pára, pelamordedeus!", "João Gilberto da porra!!" (esta provocou intensa gargalhada neste Santo Homem que vos fala)
- Sai Fripp, entra Stevie Vai. Sem frescura, sem efeitos especiais. Age como se conhecesse cada um da platéia há anos. Muito simpático. Aí pega a guitarra e ... crianças, o que foi aquilo?
- O som estava perfeito e muito, muito, muito alto.
- Intervalo às 11:30 para troca de equipamento. Mr. Satriani iria tocar em seguida.
- Entra um sujeito parecido com um champignon de óculos escuros. O povo berra: "Joe! Joe! Joe!". Mais ventania.
- Aí, depois de submeter a guitarra a uma sessão de S&M pesado, Joe pergunta: "Are you ready for G3?". Uma pergunta meramente retórica, como reza a Velha Tradição do Roquenrôu.
- Juntam-se os 3 e tocam "Red", do King Crimson. Ai meu Deus do céu. Ai minha Virgem Maria. Posso morrer em paz agora. Eu vi aquilo. Ouvi aquilo.
- Agora, só falta o Jeff Beck e o Allan Holdsworth levantarem os respectivos rabos e virem tocar aqui em SanPablo. Incluam isto nas suas orações, crianças.