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HABEMUS BABA
Depois que voltei do Vaticano - onde estava articulando a eleição do Zé e bebendo schnapps no café da manhã com os cardeais -, ainda imbuído do mais Elevado Espírito Cristão e com uma ressaca das brabas, decidi fazer o meu Personal Conclave Tabajara e escolher, de uma vez por todas, o Santo Padroeiro deste Confessionário.
Claro que São Google era um forte candidato, mas ele já é Padroeiro de toda a Grande Rede, portanto não faria sentido o acúmulo de cargos pois isso aqui não é Brasília. Saint Columba, por ser Irlandês e capaz de, como J.C., transformar água em vinho, estava muito bem cotado. São Jorge, por inestimáveis serviços prestados, também era um dos favoritos. Fiz uma lista de "padroeiráveis" e cheguei a uns 15 nomes, porém sem esgotar todas as possibilidades.
Como as coisas estavam ficando confusas e os candidatos se multiplicavam, pensei em instituir uma Junta de Santos Padroeiros com a tríade Columba - Jorge - Cipriano, que votariam as decisões na base do palitinho, evitando toda a burocracia da qual eu já estava farto depois da minha estada junto ao Alto Clero. Até que, peregrinando pelos subterrâneos da Grande Rede tropecei naquele que, sem a mais suave nuance de dúvida, é o Santo Padroeiro deste Confessionário.
Saint Martin de Porres nasceu em Lima, Peru, filho bastardo de um espanhol chamado Juan de Porres e uma ex-escrava mulata panamenha. (Cá pra nós: se eu fosse funcionário do Detran e dependesse de mim a aprovação de uma carteira de motorista para um sujeito chamado João dos Porres, eu cobrava no mínimo 20 vezes o preço da Tabela de Propinas.) Apesar de ter nascido em 1579, só foi canonizado em 1962 por João XXIII, se tornando o primeiro Santo negão das Américas - ou como diriam nossos vizinhos argentinos, "una vergüenza, canonissaran a un macaquito de mierda!"
Olhando com atenção para o seu retrato aí do lado, percebemos os elementos simbólicos que foram decisivos para que fosse adotado como Padroeiro deste blogue:1) São Martinho dos Porres bebeu tanto e a ressaca está tão intensa que a cabeça dele parece que vai explodir. A enxaqueca latejante faz com que seu crânio brilhe, fazendo-o parecer uma versão luz negra do Lampadinha.
2) Como todo bebedor calejado, ele está se refazendo com um cálice de Dry Martini - Noilly Pratt e Beefeater, mexido (nunca chacoalhado), duas azeitonas. Algum boi-corneta certamente vai dizer que ele está segurando um crucifixo e não um cálice. Para estes estrupícios eu afirmo que é tudo uma questão de fé. Neguinho não enxergava Nossa Senhora naquele vidro melecado de uma janela? Então. Aquilo ali é um cálice de Dry Martini e não se fala mais nisso.
3) Martinho segura uma vassoura porque na noite anterior, durante a bebedeira, estava assistindo Curíntia e Parmêra e o juiz roubou num pênalti contra o Timão. Furioso, jogou o cinzeiro na TV, espalhando cacos de vidro por tudo e agora precisa limpar a bagunça.
4) Aos pés do Santo encontra-se um prato com uma fatia de pizza 4 queijos bem carregada no gorgonzola, que ele comeu pela metade e esqueceu no chão, atraindo a atenção de um gato, uma pomba branca e um camundongo, que representam a União Fraternal dos Povos. É claro que não tem pizza suficiente pros três, e o gato está olhando alternadamente para o camundongo e para a pomba e começando a ter idéias.
5) Finalmente, um cão alcoólatra de raça indefinida abana a cola para o Santo, querendo dar uma bicada no seu drinque, que é mantido a uma distância segura. Algumas hagiologias sustentam a teoria de que este cachorro, cujo nome era Janus, acabou finalmente reencarnando como Líder Máximo de uma República Latino Americana, mas é difícil separar ficção de realidade nesses casos.
Pois bem, tendo explicado em minúcias os motivos da escolha do Martinho para Padroeiro deste Confessionário, resta-nos abrir aquela garrafa de Wyborowa e fazer um brinde a ele. Bendito sejas, Saint Martin, não livrai-nos de Porres, amém.