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FILTHY BUGS!
Os insetos são as formas vivas mais interessantes que existem, depois dos vírus e da Jennifer Lopez. Quando falo “interessantes”, falo do aspecto puramente funcional dessas criaturas. Os vírus e os insetos, porque são praticamente indestrutíveis. Já a Jennifer, bem, sabemos o porquê.
Sofro de insônia e não é incomum acordar às 3 da matina e ir até o banheiro para ler um pouco. Ao lado do que eu chamo carinhosamente de "The Red King Throne", mantenho exemplares variados da Literatura Universal. Numa dessas madrugadas, eu me acomodei no móvel e comecei a reler, pela décima-quarta vez, o "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa.
Enquanto estava profundamente entretido com o episódio em que Pessoa se comove com o fato de um garçom se preocupar com sua saúde e lhe desejar melhoras porque ele não havia bebido toda a garrafa de vinho durante o almoço, percebi, com a visão periférica, que algo estava se movendo em minha direção.
Para vocês poderem compreender, toda a casa estava na mais profunda escuridão. O único cômodo iluminado era o banheiro, que estava com a porta aberta - pois obviamente às 3 da manhã não passaria ninguém por ali. E meu trono fica bem à frente de um longo corredor escuro.
O que vinha na minha direção era grande, estava voando em absoluto silêncio, era negro e RÁPIDO.
Eu pensei naquele momento: é o Anjo Exterminador que Misericordiosamente vai levar meu Espírito até J.C., para que Ele finalmente pague aquela cachacinha que está me devendo e possamos comer um torresmo e dar boas risadas.
O pior é que não era. Criançada, era a maior mariposa que eu já tinha visto na vida. Tenho certeza que alguém aí vai dizer "com medo de uma mariposa, Father?". Óbvio que não tenho medo de insetos. Tenho muito mais medo do pessoal de Brasília.
O que havia atraído ela para o banheiro era, obviamente, a luz que estava bem em cima da minha cabeça. Numa manobra elegante, o bicho desviou da minha cara a um meio palmo, subiu e ficou flanando ao redor da lâmpada até cansar. Quando ela se acalmou, pude ver o quanto ela era bonita. Imensa, totalmente negra, devia ter uns 20 cm de envergadura. Me deu pena de matá-la e, com extremo cuidado, peguei-a pelas asas, apaguei a luz do banheiro e a depositei do lado de fora da janela.
Passado o episódio com a mariposa, os insetos temporariamente decidiram não freqüentar o Suntuoso e Nababesco Confessionário. Até que um dia percebi, num canto da janela, mais ou menos uma dúzia de ovos bem pequenininhos. Ao invés de ser prático e esmagar logo os ovos, fiquei curioso sobre que tipo de inseto coloca uns ovinhos tão rosados e mimosos.
Aí pesquisei na WEB e, inexplicavelmente, acabei no site da Hustler e esqueci totalmente a questão.
Porém, nada pode Deter a Natureza. A química rolou conforme Deus manda e, num belo dia, a Noviça Helen me perguntou que troço esquisito era aquele na janela.
É que os ovos haviam eclodido e os bichinhos haviam saído. Eles estavam aturdidos, e não consegui, num primeiro momento, identificá-los, pois não se mexiam. Peguei a lupa e dei uma boa olhada neles. Eles me pareceram percevejos bem pequenininhos. Eu falei aos insetos: rapazes, não levem isso para o lado pessoal, mas o nosso relacionamento vai terminar em breve. Porém encarem isso de uma forma positiva: vocês irão conhecer o seu Deus logo logo, exceto os Malditos Comunistas que eventualmente haja entre vocês.
Logo depois despejei uma generosa quantidade de inseticida sobre eles.
Para meu espanto, isso não afetou em muito o comportamento deles. Eu esperava que pelo menos eles caíssem da janela, ou ficassem atarantados, ou que demonstrassem alguma espécie de ódio em relação à minha pessoa. Mas não. Eles se mexeram um pouquinho só, e ficaram me olhando.
Então peguei um bom pedaço de papel-toalha e tentei removê-los. Neste momento percebi duas coisas:
1. Os bichos eram dificílimos de agarrar (devido ao seu tamanho);
2. Mesmo tentando espremê-los contra a parede ou pisoteá-los, os carrapatinhos aparentemente não sofriam dano algum.
Como eu não estava com muita paciência para com insetos naquele dia, declarei: tudo bem, seus Delinqüentes, vamos partir para a Solução Final.
Peguei um martelo na lavanderia e martelei um dos pequenos percevejinhos de maneira que ele só sobreviveria se fosse um Highlander, enquanto eu berrava: conheça a Morte Atômica, Verme! O pequeno corpinho do inseto perdeu a Terceira Dimensão, ficando totalmente plano, e obviamente isso causou seu falecimento.
Isso foi bom e ruim. A parte boa foi que ele abandonou este Vale de Lágrimas, e a parte ruim foi que descobri, finalmente, que tipo de bicho era aquele.
Tratava-se de um percevejo do tipo Scaptocoris spp, popularmente conhecido como fede-fede.
Vamos agora fazer um exercício de imaginação: POR QUE o populacho chama o bichinho assim? Respondo: o inseto, quando morto, exala um cheiro insuportável.
Imediatamente meu estômago começou a querer o Divórcio Litigioso do resto do meu corpo, mas eu não ia desistir naquele ponto. Um a um eu os esmaguei com o martelo, sem respirar e ainda sem respirar, removi seus cadáveres, coloquei-os na privada, peguei um frasco de detergente e aspergi sobre o local do Pequeno Genocídio.
Quando eu tentei respirar, após esta complicada operação, Grande parte do Confessionário estava fedendo terrivelmente. Me parecia incrível que bichos tão pequenos - eram minúsculos - pudessem ser tão fedidos.
A sorte do pessoal de Brasília é que eu não sou um Enorme Deus com um Enorme Martelo nas mãos.
HEITOR
Crianças, consegui uns dias de férias. Quando vocês estiverem lendo isso, é bem provável que eu esteja mergulhando em Cabo Frio, tentando acertar um arpão na bunda de um tubarão mais distraído.
Mas vou deixar um breve relato que penso irá entreter suas mentes entediadas.
Sempre afirmei, com certo orgulho, mas também com certa tristeza, que tenho pouquíssimos amigos. Dá pra contar com a mão esquerda do Lula. Mas, ao mesmo tempo que tenho pouquíssimos amigos, todos são tão bizarros que, se fossem apanhados pela NASA, seriam levados para o famoso Hangar 18 e jamais teríamos mais notícias deles.
Liguei para um desses amigos, que é um amigo tão antigo que conseguiu ser meu colega de faculdade. Ele teve um filho, e colocou o nome do menino de Heitor, provavelmente em homenagem a um dos Três Porquinhos.
Não que eu o esteja censurando. Eu gosto dos Três Porquinhos. Inclusive o Heitor, na minha opinião, era muito mais simpático que o Cícero ou o Prático. Inclusive o Prático usava aquele macacão azul, e não contava com a minha especial afeição, pois sempre me trazia à lembrança o maldito Lúmpem-Proletariado.
Mas aí veio o Lobo e fudeu com tudo, porém percebo que estou perdendo o rumo da conversa.
Pois bem, fiz a ligação, conversamos sobre amenidades e, depois de um tempo, ele insistiu muito para que eu falasse com o filho dele. Eu concordei, apesar de não ter a menor idéia do tipo de diálogo que eu poderia ter com um menino de 5 anos.
Não sei se vocês já tiveram essa experiência, mas conversar com crianças é o maior barato. É a mesma coisa que falar com um bêbado bem pequenininho.
Aí comentei com ele que, no dia em que ele nasceu, eu estava lá no hospital junto com o pai dele.
Ele respondeu, seriíssimo: "não lembro disso"
A conversa durou uns 2 minutos até que o telefone voltou às mãos do meu amigo e, quando já tínhamos conversado tudo o que havia para ser conversado, ele me disse que o filho queria falar comigo de novo.
Aí o telefone foi passado de novo pro Heitor e ele me perguntou: sabe o que eu acho do meu pai?
Senhoras e Senhores, toda a Educação Formal que eu recebi não foi suficiente para me preparar para este tipo de situação.
"Não, Heitor, não sei. O que você acha do Papai?"
"Eu acho que ele é um pirralho grandão. Um pirralho grandão"
Numa situação normal, a conversa terminaria por aí, pois eu ia rolar no chão e deixar cair o telefone, e minha carcaça seria encontrada pela polícia uma semana depois, morto devido a uma overdose de risada, se é que isso existe.
Mas não, eu ainda não tinha bebido todos os sete litros de vodka que bebo diariamente - por recomendações médicas, é claro - e estava razoavelmente no comando da minha razão, como uma espécie de Empávido Comandante do Titanic.
Falei pro menino: "Olha, eu vou te dizer uma coisa, tá, Heitor, mas vou dizer bem baixinho porque é só prá ti, tá?" Ele mordeu a isca, lógico, aí eu prossegui: "O Papai é muito esquecido, tá? Eu conheço ele e ele se esquece das coisas. É muito importante, Heitor, que TODOS OS DIAS - pres'tenção - TODOS OS DIAS, quando você acordar, diga pra ele: 'pai, cê num passa de um pirralho grandão'"
Agora eu vou precisar ir até Brasília para cortar mais um dedo da mão esquerda do Lula, para poder contar as minhas amizades.
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Na condição de colecionador de bicicletas e demais objetos cuja grafia é semelhante, não pude me conter diante desta pechincha oferecida a céu aberto na Avenida Santo Amaro, nas proximidades do Nosocômio St. Louis. Percebam a delicadeza do Artefato Sueco (e o esclarecedor adendo na placa, afirmando tratar-se de uma raridade), cujo design adotado pelos nossos Irmãozinhos Nórdicos dá um novo sentido ao termo "minimalista". É quase certo que esta bicicleta suportaria uma reentrada na atmosfera. E isso não é tudo: ao lado pode-se observar um par de esquis ATV que pode ser usado, por exemplo, para percorrer a Consolação na banguela, sempre que um compromisso mais urgente exija observância aos horários. Resumindo, não consigo atinar em como pude viver até hoje sem essas conveniências.