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Sim, Meninas e Meninos, eu leio a versão Brazuca do "Reader's Digest". Por que vocês estão me olhando com essa cara, hein? Todos nós temos nossos defeitos e pecadilhos, oras!
Nesta edição de junho, tem uma anedota na seção "Ossos do Ofício", enviada pelo Eliezer Rodrigues, de Juiz de Fora, Minas Gerais, e que reproduzo fielmente aqui:
"Trabalhei numa rádio evangélica de São Paulo que apresentava o programa Ofereça uma música ao Aniversariante. Um dia atendi ao telefone uma criança oferecendo uma canção ao irmão. Quando perguntei qual era a música, ela disse:
- Uma sertaneja.
Eu informei que só tocávamos hinos. Depois de pensar, ela disse:
- Então, toca o do Palmeiras!"
TOTUM TUUS, TATUS, RHINOCERUS, TATOOS
Há quem pense que a vida de um Emissário do Altíssimo consiste em falar um monte de baboseiras para uma platéia sonolenta e beber escondido o vinho da missa. Isso pode até ser verdade na maioria dos casos, mas há aqueles Sacerdotes verdadeiramente imbuídos da Santa Missão que saem por esse Mundão tal qual Joões Batistas ensandecidos, anunciando a Palavra aos que Rastejam na Sordidez da Ignorância.
O Padre Leocádio - a.k.a. Leo - é um desses. Antes de prosseguir, devo informar-lhes que o Leo não é exatamente um Padre Conservador. Ele é uma mistura de Sacerdote, Skinhead e Ninja - por mais bizarro que isso possa parecer.
Um belo dia, o Leo decidiu pegar a bicicleta e sair por aí pregando e vivendo de doações, tornando-se um Pastor Itinerante. Foi pedalando rumo ao Norte, pelo litoral. Parava nas praias, colocava a batina e promovia animadas "Missas-Luau", como ele mesmo as denominava.
De tanto pedalar, ele atravessou a fronteira com a Venezuela, e foi subindo até chegar em Puerto Cabezas, na Nicarágua. De lá, pegou carona numa escuna até Kingston, Jamaica, onde trocou a bicicleta por meio quilo de skank. Depois de um mês fracamente conectado com a Realidade, ele recobrou o juízo e pegou um barco para o Haiti.
Não há muita ocupação para um Padre em um país onde todos estão muito mais interessados em espetar agulhas em bonequinhos e abrir a barriga de bodes pretos do que escutar o Sermão da Montanha. Então ele decidiu, por estritas necessidades de sobrevivência, adotar temporariamente a profissão de Artesão, confeccionando tatus de pelúcia. Nunca imaginei que pudesse haver mercado para tatus de pelúcia, mas aparentemente estive enganado esses anos todos.
Porém os chineses inundaram o Haiti com imitações baratas dos famosos tatus do Padre Leo. Além de custarem bem menos, os tatus de olhinhos puxados cantavam "La Cucaracha" quando se puxava o rabinho deles. Não dava para competir com isso.
Então o Leo resolveu partir para o mercado do Bestialismo Exótico Simulado: passou a fabricar Rinocerontas Infláveis. O valor agregado ao produto era sua versatilidade - podia-se usar a parte posterior para aliviar a pressão intra-testicular ou, de acordo com a preferência do usuário, usar o chifre para... bem, não preciso entrar em detalhes.
Tudo ia muito bem no novo negócio do Padre até que o pessoal do Greenpeace desceu de helicóptero no quintal dele e deu o maior esporro no Leo, dizendo que ele não podia fazer aquilo, que os rinocerontes eram uma espécie em extinção e blá blá blá. De nada adiantou a contra-argumentação de que se tratava de bonecos de plástico: os Ativistas declararam que, mesmo sendo bonecos, isso denegria a imagem do animal e poderia causar uma queda em sua auto-estima, levando à Depressão, ao Alcoolismo e, por fim, ao Suicídio.
Aí o Padre perdeu a paciência de vez. Pediu a um amigo que o enviasse pelo correio para o Texas, disposto a ganhar dinheiro facilitando a vida dos imigrantes ilegais que vinham do México.
A ferramenta escolhida pelo Leo para ferrar com o Departamento de Imigração da Gringolândia foi extremamente inusitada: a tatuagem. Explico: na época, existia um método de criptografia que era guardado a sete chaves pela CIA. Por meios, ahn, pouco ortodoxos, o Padre conseguiu o algoritmo deste método e passou a tatuá-lo nas costas dos imigrantes ilegais que entravam nos EUA. A partir daquele momento, aquelas pessoas não podiam mais ser deportadas, pois pela Lei isso era considerado exportação ilegal de software. E, assim, o Leo pôde finalmente ter um pouco de paz e ganhar honestamente - pero no mucho - seu dinheirinho.
Agora deixemos o Padre de lado e falemos sobre tatuagem. Quem faz tatuagem assume tacitamente o compromisso de manter a forma pois se, por exemplo, engordar muito, o desenho fica distorcido. Um exemplo disso é minha prima. No frescor de seus 19 aninhos, esbelta como uma lontra, ela tatuou uma delicada borboleta na bundinha. Dois casamentos, três filhos e quarenta quilos a mais depois, a borboleta se transformou num condor. Medo.
E tem a questão da durabilidade da tatuagem. Hoje já tem como apagar, o que faz a felicidade dos [pigarro] famosos, que ao se enrabicharem com outros famosos vão logo tatuando o nome da criatura no couro. Além de ser de extremo mau-gosto, vulgar e estúpido, trata-se de trabalho dobrado, pois a maioria dessas pessoas encaram um parceiro como um copo plástico descartável. Depois de um curtíssimo prazo e um pé-na-bunda básico, lá vão eles apagar ou disfarçar a tatuagem. Para estes casos de casamentos/namoros-relâmpago, apresento aqui uma solução definitiva para os que insistem em ter o nome do cônjuge/namorado(a) da semana impresso na pele: a Fabulosa Tatuagem-Formulário.Como podemos observar, a Fabulosa Tatuagem-Formulário é uma tatuagem Tradicional, que jamais precisará ser apagada. Trata-se de um espaço que será preenchido com o nome do(a) infeliz escrito com Henna, em letra de fôrma. O nome ficará no formulário de uma a duas semanas, e depois desaparecerá naturalmente. É claro que a essas alturas o casamento/namoro já terá ido pro brejo, deixando o espaço disponível para o próximo da fila. Não sei como não pensaram nisso antes.