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OS CRIMES DA RUA MORGUE
No final de semana recebemos aqui na Paróquia Maldita um ônibus de excursão do Convento das Virgens de Jesus, que vieram conhecer as Suntuosas e Nababescas Instalações deste Templo do Senhor. A noviça Stéfanny das Dores foi incumbida de ciceronear o álacre grupo pelos agradáveis aposentos, exibindo com orgulho a impecável Cozinha, as aconchegantes Celas, a requintada Biblioteca, e as Obras de Arte que atestam o inexcedível bom-gosto do Santo Padre. Estavam elas passeando exclamativas pela Paróquia quando decidiram visitar o vasto Jardim.
Este Jardim, que foi projetado pelos Jardineiros do Vaticano, teve como inspiração os quadros renascentistas que retratavam o Éden. Em verdade, esta Magnífica Obra de Arte Vegetal é o que se poderia imaginar de mais próximo do Paraíso entre o Tigre e o Eufrates. Obviamente, para proteger este oásis dos olhos e da Cobiça Mundana, temos um alto muro que cerca os seus limites.
Quis o Ingrato Destino que, do lado de fora do muro, um burro caísse morto, fatigado da sua vida repleta de árduo trabalho. O Animal foi direto para o Céu dos Burros, onde encontrou pastos verdejantes, água límpida e inúmeros Eleitores Brasileiros, mas isso é outra história.
Um moleque, que passava por ali, viu o burro de língua de fora e olhar vidrado. Cutucou o bicho com um pedaço de pau e constatou que, de fato, estava gravemente morto. Aí, como sabia que o muro pertencia à Paróquia, puxou uma faquinha, cortou a monstruosa genitália do Animal e, muito levianamente, atirou-a por sobre o muro.
As coisas já seriam bem alarmantes se o caso terminasse por aí, mas os Deuses assim não o quiseram. Descrevendo uma Parábola no ar, a volumosa Piroca foi se esborrachar na grama do Jardim, bem na frente do grupo de Castas Freirinhas. Como a noviça Stéfanny estava afastada do grupo, distraída atendendo o celular perto da fonte central, ficou alheia ao ocorrido, enquanto as meninas faziam um círculo ao redor da, ahn, "peça", tentando atinar no quê poderia ser aquilo.
- Célia, que negócio esquisito é esse?
- Não sei, nunca vi algo parecido antes![1]
- Será que é um dos tais Duendes da Xuxa?
E ficaram conjecturando, até que a Stéfi desligou o telefone e foi ver o que estava acontecendo. Quando ela abriu caminho no círculo de freirinhas e viu o que elas estavam examinando tão atentamente, não se conteve, caiu de joelhos e gritou:
- Deus meu do céu, mataram o Padre Levedo!
[1] dizem que o grupo trocou olhares maliciosos neste ponto, mas não se pode confirmar isto
O FABULOSO POPUNDER-FUCKER LEVEDO!
Se você também se aborrece com as tralhas que os hospedeiros gratuitos penduram no seu modesto bloguezinho, como pop-unders, banners e etecétera, saiba que isso tem cura. Vamos supor que o template do seu blog seja<HTML>Aí você publica esta mimosura e ploft! do nada aparece um asqueroso banner oferecendo Viagra por cinco Dynheyros Paraguayos e uma merda de barra de links para sites de coprofagia russos bem na cara dos seus leitores. Chato, né? Mas se você alterar o template para
<HEAD>
<title>CLEMENTINO'S BLOG</title>
[qualquer coisa]
</HEAD>
<BODY>
<P>Um Blog cheio de malemolência, betume e cabriolé</p>
[qualquer coisa]
</BODY><HTML>a função javaScript delAds() vai remover as porcarias que o serviço de hospedagem teima em grudar no seu bloguezinho. Se você tem alguma noção de DOM, já percebeu que o código é trivial, nós apenas vamos eliminando os nodos-filhos do corpo do documento até encontrar o comment cujo conteúdo é "pumpernickel". Escolhi esta palavra aleatoriamente, pode ser "abracadabra", ou "é aqui, Manuel", tanto faz. É necessário colocar o comment tanto na seção head como na body, porque nem todos os browsers organizam a árvore de documento da mesma maneira. O Opera, por exemplo, move as tags META, STYLE e os comments da seção head para a seção body, sem nenhum pudor e sem avisar.
<HEAD>
<!--pumpernickel-->
<title>CLEMENTINO'S BLOG</title>
[qualquer coisa]
<script>
function delAds() {
while (1) {
var n = document.body.childNodes[0];
if (n.nodeType == 8 && n.nodeValue == "pumpernickel") return;
document.body.removeChild(n);
};
};
</script>
</HEAD>
<BODY onLoad="delAds()">
<!--pumpernickel-->
<P>Um Blog cheio de malemolência, betume e cabriolé</p>
[qualquer coisa]
</BODY>
BOND OF BIG TIGER, TIGER BURNING BRIGHT
Mais uma vez Padre Levedo, o Impoluto, denuncia a Leviandade que grassa neste Mundo Tenebroso. Pois vejam vocês que examinando alguns palimpsestos na Vasta Biblioteca da Paróquia Maldita, deparei-me com um poema bizarro que muito me espantou. Porém mais espantado ainda fiquei quando li no rodapé uma nota que ostentava uma elegante caligrafia Vitoriana onde dizia: "William Blake, a.k.a. Bill Blake, a.k.a. Big Blake, a.k.a. Big Black". Sim, era um poema inédito do Grande William, e ainda por cima revelando seus apelidos de esbórnia.
Mas o espanto deu lugar a uma sensação de dejáví. Aquilo me era vagamente familiar. Li novamente o poema:
There comes the Big Black
There comes the Big Black
Full of passion
To catch you, to catch you, to catch you
Wanting to gain all the little girls
Nor crown he pardons not
Sniffed in the nape
Of pretty colored woman
To catch you, to catch you, to catch you
Blondie with the sniff of the Big Black
Is a problem
If nobody knew to love you
Can be prepared arrived the salvation
Alone joy, can be arranged
That the Big Black arrived
But if is engaged
Is better not to vacillate
Just a smile a look is enough
For the Big Black catch you
"Come Big Black, make haste"
Is the great number of woman to cry out
"Come Big Black, the hour is this
Let's lie down and roll"
In the beach, in the street, in the supermarket
In the fair is the biggest tanning
Little girls already come walking in a languishing manner
To stay with this Big Black
Súbito, sou fulminado pela Revelação: aquela era a letra de um pagode! Não que eu aprecie esta excrescência cultural, muito pelo contrário, mas Erudito que sou, forçoso é conhecer todas as coisas. Verti o texto para Português Normativo e vejam só o que deu:
Lá vem o Negão
Lá vem o Negão
Cheio de paixão
Te catá, te catá, te catá
Querendo ganhar todas menininhas
Nem corôa ele perdoa não
Fungou no cangote
Da linda morena
Te catá, te catá, te catá
Loirinha com a fungada do Negão
É um problema
Se ninguém soube lhe amar
Pode se preparar chegou a salvação
Só alegria, pode se arrumar
Que chegou o Negão
Mas se é compromissada
É melhor não vacilar
Basta um sorriso um olhar
Para o Negão te catar
"Vem Negão, vem depressa"
É o mulherio a gritar
"Vem Negão, a hora é essa
Vamos deitar e rolar"
Na praia, na rua, no supermercado
Na feira é a maior curtição
As garotinhas já vem requebrando
Pra ficar com esse Negão
Indignado com a apropriação indébita (e sem créditos) da obra do Grande Blake, escrevi uma carta desaforada ao Sumo Patife e Sambista Benedito di Paula XVI, exigindo Excomunhão e Macumba para os Plagiadores. Até agora o Papa não respondeu.